Lúcio de Mendonça

Escritor, jornalista, advogado brasileiro, Lúcio Eugênio de Meneses e Vasconcelos Drummond Furtado de Mendonça nasceu a 10 de março de 1854, em Piraí, no Estado do Rio de Janeiro, no Brasil.
Órfão de pai e tendo a mãe contraído segundo matrimónio, Lúcio de Mendonça foi educado em casa de parentes, em São Gonçalo de Sapucaí, em Minas Gerais. Auto-didata nas primeiras aprendizagens, o jovem inscreveu-se aos 16 anos, no Colégio Pimentel, em São Gonçalo. Em seguida, a pedido do irmão, Salvador de Mendonça, foi para São Paulo, onde se matriculou na Faculdade de Direito, em 1871. Nessa altura, iniciou a sua atividade literária ao colaborar para o jornal O Ipiranga, dirigido pelo irmão. Participou no movimento estudantil contra os professores da faculdade e, em consequência, foi suspenso por dois anos, passando esse período no Rio de Janeiro. Aí, foi admitido para a redação de A República, onde contactou com literatos importantes, como Machado de Assis, Joaquim Nabuco e Quintino Bocaiúva.
Depois de regressar a São Paulo e de ingressar novamente na Faculdade de Direito, Mendonça passou a colaborar também com Província de São Paulo e com A República, publicação do Clube Republicano Académico da qual foi dirigente, em 1877. Doente e com dificuldades económicas, regressou a São Gonçalo de Sapucaí. A sua situação económica melhorou quando foi designado delegado da Inspetoria Geral da Instrução Pública da Província de Minas, no distrito de São Gonçalo, e quando foi eleito vereador da Câmara de São Gonçalo, cargo que ocupou até 1885. Depois desempenhou as funções de advogado em São Gonçalo e em Campanha. Continuou a colaborar com a imprensa do Rio de Janeiro e do interior, como para o Colombo, um jornal da cidade de Campanha, no qual fez propaganda republicana. Em 1885, foi para Valença como advogado e participou com assiduidade para a Semana. Três anos depois, transferiu-se para o Rio de Janeiro e foi admitido para a redação de O Paiz.
Com a proclamação da República, foi designado secretário do ministro da Justiça e, em janeiro de 1890, Curador Fiscal das Massas Falidas, no distrito Federal. Depois de exercer outras funções na magistratura e na alta burocracia, foi nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal, em substituição de Afonso Pena.
Conciliando o trabalho de ministro com as atividades literárias, publicou na Gazeta de Notícias, sob o pseudónimo de Juvenal Gavarni, várias sátiras políticas, nas quais criticou figuras como Prudente Morais, José do Patrício, Quintino Bocaiúva, entre outros. Participou também na Revista Brasileira (na terceira fase) e criou o projeto da fundação da Academia Brasileira de Letras, fazendo parte das primeiras comissões da instituição. Como escritor, publicou vários livros, tais como Névoas matutinas (1872), Alvoradas (1875) e Vergastas (1889) e traduziu os Estudos de Direito Constitucional (1896) de E. Boutmy.
Em 1901, foi designado Procurador-Geral da República, obteve uma licença, em 1904, por motivos de saúde e, em 1907, aposentou-se. Em seguida, viajou pela Europa com o objetivo de melhorar a sua saúde.
Lúcio de Mendonça faleceu a 23 de novembro de 1909, no Rio de Janeiro.
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