Ludmila Tchérina

Bailarina, atriz, pintora, escultora e escritora francesa, de nome verdadeiro Monika Tchemerzine, nasceu a 10 de outubro de 1924, em Paris (França).
Filha de um príncipe e matemático russo (exilado) e de uma francesa, Ludmila Tchérina começou a aprender a dançar desde muito cedo, subindo ao palco aos dez anos. Tornou-se na bailarina e coreógrafa mais jovem da história da dança ao integrar, aos 15 anos, os ballets de Monte Carlo. Interpretou os grandes papéis do repertório clássico e as personagens principais dos ballets russos de Diaghilev, Pavlova e Karsavina d'O Espetro da Rosa e também Sherazade. Em 1942, em Paris, recriou o bailado Romeu e Julieta de Tchaïkovski, com Serge Lifar, que a "batizou" definitivamente com nome artístico de Ludmila Tchérina. Nessa altura, num período de sucessos consecutivos e de grande popularidade, conheceu Edmond Audran, que se tornou no seu grande companheiro, tanto na dança, como na vida. Em 1956, Tchérina apadrinhou o primeiro bailado de Maurice Béjart, no Teatro da Estrela, em Paris, e tornou-se, em 1960, na primeira bailarina ocidental a atuar, como vedeta principal, no Bolshoi de Moscovo. Tchérina criou a sua própria companhia de dança, coreografou diversos bailados para Serge Lifar, Balanchine, Roland Petit, Maurice Béjart e dançou em vários espetáculos dos quais se evidenciam os papéis principais de Martírio de São Sebastião, no Teatro Nacional de Ópera de Paris e de Joana na Fogueira, no Teatro dos Campos Elísios.
Com a prematura morte do marido, a bailarina dedicou-se também a outras atividades que permitissem abrandar o ritmo acelerado da sua vida profissional. Assim, começou a escrever, publicando L'Amour au Miroir (1983) e La Femme à l'Envers (1986) e a pintar e esculpir, transmitindo nos trabalhos artísticos o seu conceito de "arte total", que se traduz numa síntese dos vários movimentos do corpo, em posições de dança, de voo, de abraço, entre outras. Fez exposições em várias capitais e, em Paris, expôs em grandes espaços, como no Hôtel de Sully, no Centro Nacional Georges Pompidou e no Museu de Arte Moderna. Destaca-se: a obra Europa Operanda (que simboliza o espírito de criação e a construção da Europa), um monumento em bronze, que se encontra no terminal francês do Eurotúnel, em Calais, e o seu protótipo, na estação do Norte, em Paris; a obra Europe-à-coeur (que simboliza a Europa unida), monumento em bronze instalado no Parlamento Europeu, em Estrasburgo; a pintura Un Seul Elan, instalada na Igreja Saint-Roch, em Paris. Ludmila Tchérina participou também em 18 filmes ora como bailarina, ora como atriz, tais como Lua de Mel de Michael Powell, Os Amantes de Turel de Raymond Rouleau, Os Sapatos Vermelhos de Michael Powell e de Emeric Pressburger e Os Contos d'Hoffmann de Michael Powell e Emeric Pressburger; com este último ganhou, em 1950, o Óscar de melhor intérprete feminina estrangeira.
Recebeu ainda várias distinções, como a do título de Cavaleiro das Artes e das Letras, em 1962, da a Medalha de Ouro do Prémio Leonardo da Vinci, em 1971 e a do título de Oficial da Legião de Honra, em 1980, entre outros.
Ludmila Tchérina faleceu a 21 de março de 2004, em Paris.
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