Ludovico Ariosto

Poeta renascentista italiano, nasceu a 8 de setembro de 1474, na cidadela de Reggio Emilia (Ducado de Modena), da qual o pai era comandante. Apesar de desde cedo ter evidenciado a sua inclinação para a poesia, Ariosto foi obrigado pelo pai a estudar Direito em Ferrara (para onde a família se tinha mudado em 1484) entre 1489 e 1494, dedicando-se completamente, nos cinco anos seguintes, aos estudos literários. Com a morte do seu pai em 1500, Ludovico, como filho mais velho, viu-se obrigado a interromper os estudos de modo a poder sustentar os seus quatro irmãos e cinco irmãs, tornando-se comandante da cidadela de Canossa em 1502, para, no ano seguinte, entrar ao serviço do cardeal Ippolito d'Este.
A vida de cortesão era, para Ariosto, completamente contrária aos seus hábitos simples e, sempre que surgia uma oportunidade, tentava abandoná-la, como aconteceu em 1506, quando tentou integrar a Corte de Roma após a eleição de Leão X para papa, mas o insucesso fê-lo regressar a Ferrara. Entretanto, para além de alguns poemas em latim inspirados em Tibullus e Horácio, poetas da Roma antiga, começa a trabalhar na obra Orlando Furioso (uma continuação do poema de Boiardo, Orlando innamorato), a qual seria pela primeira vez publicada em 1516, em Veneza. Quer esta, quer a segunda versão (Ferrara, 1521) consistiam em 40 cantos escritos em oitava rima, na linha do que tinham feito Boccaccio no século XIV e os poetas Politian e Matteo Maria Boiardo, seus contemporâneos; por outro lado, na segunda edição são notórias as influências do poeta Pietro Bembo, sobretudo em relação à linguagem e ao estilo. Orlando Furioso narra uma série de episódios que derivam de épicos, romances e poesia heroica da Idade Média e início do Renascimento, destacando-se três histórias nucleares à volta das quais as outras se formam: o amor de Orlando por Angelica - a de maior importância; a guerra entre cristãos (liderados por Carlos Magno) e árabes (liderados por Agramante) perto de Paris - que constitui o cenário épico para toda a narrativa; e o amor entre Roggiero e Bradamante - uma cortesia literária em honra da família Este, que se suponha ser descendente daquelas duas personagens. Mas é Ariosto que, ao atribuir às personagens a sua própria espiritualidade, se constitui como o elemento unificador de toda a narrativa.
Após recusar acompanhar o cardeal para Buda, entra ao serviço do duque Alfonso em 1517, o que lhe permitiu ficar em Ferrara perto da sua amante, Alessandra Benucci, que conheceu em 1513. Mas, devido a dificuldades financeiras, Ariosto vê-se obrigado a aceitar o cargo de governador de Garfagnana, nos Apeninos, onde demonstrou habilidade administrativa na gerência dos graves conflitos que lá existiam. Entre 1517 e 1525, Ariosto compõe a obra Satire, inspirada nos Sermones de Horácio. O primeiro volume (1517) eleva a dignidade e a independência do escritor; a segunda critica a corrupção eclesiástica; a terceira opõe-se à ambição; a quarta trata do casamento; a quinta e sexta expõem os sentimentos de Ariosto perante o isolamento familiar a que o egoísmo do seu senhor o votou; e a sétima, dirigida a Pietro Bembo, descreve os vícios dos humanistas e a sua tristeza por não ter acabado os seus estudos literários. Em 1529, Ariosto publica a sua quarta comédia, La lena, que sucedeu a Cassaria (1508), a Il suppositi (1509) e a Il negromante (1520). Uma outra comédia, Il studenti, foi publicada postumamente sob o nome La scolastica, depois de ter sido completada por Gabriele, irmão de Ariosto.
Ariosto regressa em 1525 a Ferrara, onde compra uma pequena casa que acolheu, entre 1528 e 1530 em diante, o casamento secreto (para não perder os benefícios eclesiásticos) com Alessandra Benucci, com quem passa os últimos anos de vida. Uma terceira versão de Orlando Furioso (a mais perfeita) foi publicada em Ferrara, em 1532, contendo, desta vez, 46 cantos. Pouco tempo depois, mais precisamente a 6 de julho de 1533, Ariosto morre naquela cidade. Doze anos depois seria ainda publicado um apêndice com o nome de Cinque canti, não se sabendo a data em que o terá escrito.
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