Lugar da Caveira (Gólgota), Jerusalém

Segundo os quatro evangelistas, São Mateus, São Marco, São Lucas e São João, Jesus Cristo teria sido crucificado num lugar chamado Calvário (em hebreu Gólgota), que significa "O Lugar da Caveira" (também conhecido por Lugar do Crânio). Atribuiu-se este nome, "Lugar da Caveira", porque o local, fora das muralhas da cidade, apresentava uma elevação que se assemelhava a um crânio, e era também o local onde os condenados à morte eram crucificados.
Existe uma tradição hebraica, contada por Orígenes (século III), que diz que Adão teria sido sepultado no Lugar da Caveira ou Gólgota, o mesmo local onde Jesus Cristo foi crucificado, seguindo a profecia: se a humanidade morria com Adão, ela poderia ressuscitar com Cristo. A caveira de Adão teria sido lavada pelo sangue de Cristo para que todos os filhos de Adão fossem remidos pelo "segundo Adão". Um templo, que consiste numa pequena ábside, chamado Capela de Adão, junto ao Calvário, assinala a tradição simbólica.
Eusébio de Cesareia, que viveu no século IV, admite a existência de um Lugar da Caveira, onde Cristo foi crucificado, e conta, com detalhe, as circunstâncias que levaram à descoberta do Santo Sepulcro nas suas imediações. O achado aconteceu depois do Imperador Constantino ter ordenado, por volta de 325, buscas ao local, que levaram à destruição de um templo pagão, em honra da deusa Afrodite, aí construído. Mais tarde, no topo do monte, foi colocada uma cruz preciosa para assinalar o centro espiritual do mundo dos Cristãos, cruz que foi, posteriormente, saqueada. O Santo Sepulcro foi venerado até ter sido destruído por ordem do Califa Hakem, em 1009, tendo sido, depois, restaurado várias vezes, inclusive pelos cruzados.
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