Luís Miguel Nava

Poeta e crítico literário, nascido a 29 de setembro de 1957, em Viseu, e falecido a 10 de maio de 1995, em Bruxelas, formou-se em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa, onde desempenhou funções docentes. Viveu os últimos anos em Bruxelas, como funcionário da Comunidade Europeia. O seu bárbaro assassinato, em 1995, chocou o meio literário português que tinha visto no autor de Rebentação uma das presenças mais fortes e transgressivas reveladas no panorama poético português dos anos 80. Desde o seu primeiro livro, Películas, distinguido com o Prémio Revelação da Sociedade Portuguesa de Autores, até Vulcão, a poesia de Luís Miguel Nava assume, com efeito, um carácter anticonvencional, seja pelas imagens de um corpo cuja nudez evoca tanto a expressão da verdade despida de preconceitos, como a fragilidade de um corpo dilacerável, seja pela contínua materialização da reflexão sobre o eu, exteriorizado nas suas vísceras e intestinos. Para Gastão Cruz, a obra de Luís Miguel Nava "surge ao arrepio de algumas tendências, mansamente quotidianas, da poesia da década de 70", configurando, "talvez como nenhuma outra nos anos 80, os fantasmas e os monstros de uma década trágica, radiografando implacavelmente os corpos ameaçados da humanidade dos nossos dias" e inventando, para tal tarefa, formas novas de expressão: "Luís Miguel Nava introduz na literatura portuguesa formas exclusivas, poemas em verso tão esqueleticamente agudos como os ossos e os espinhos de que nos falam, textos em prosa que se situam a meia distância entre o poema e o conto, criando um discurso de textura surda, que combina a densidade e a obscuridade da poesia com a dolorosa vertebração de uma narratividade alucinada" (CRUZ, Gastão - A Poesia Portuguesa Hoje, 2.a ed. aum., Lisboa, Relógio d'Água, 1999, p. 190).
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