Lusitânia

Obra cuja poética neorromântica é orientada para o relançamento do projeto lusitanista que informava o programa saudosista, convertendo sistematicamente os mitos históricos nacionais em argumentos para um ressurgimento utópico. Autonomiza-se, assim, a voz profética do sujeito poético, cujo dom de visionarismo histórico permite evocar "altas memórias", cruzando nessa memória coletiva os lugares-comuns que constituem a identidade do ser português, sejam nomes de figuras históricas e literárias (cf. sequência de sonetos finais: Nun'Álvares, Infante Santo, Afonso de Albuquerque, Vasco da Gama, Gil Vicente, Bernardim Ribeiro, Camões, Dom Sebastião, Frei Agostinho da Cruz, Bocage, Castilho, Camilo, João de Deus, Antero, Oliveira Martins, António Nobre) ou espaços (Sagres, Jerónimos, Alcácer Quibir). Ao mesmo tempo, com preferência pela rima cruzada e interpolada, constrói uma imagem impressionista de um Portugal perscrutado através de quadros ("Vales de verdes pinos tão sozinhos, / Alumiados da graça do Senhor/"), onde se cruza o mar e a terra e onde desponta um cristianismo vagamente místico.
Como referenciar: Lusitânia in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-12-12 07:08:20]. Disponível na Internet: