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Mafalda
Personagem da banda desenhada (BD) criada pelo argentino Quino, Mafalda surgiu regularmente a 29 de setembro de 1964, nas páginas do semanário Primera Plana. Um pouco antes tinham sido publicadas três tiras no suplemento humorístico da revista Leoplán.

Em 1963 foi pedido a Quino para conceber uma história passada com uma família de classe média, que tivesse o intuito de promover artigos para o lar, sem que se identificasse claramente uma marca, numa espécie de propaganda indireta, em que as personagens vão ambicionando ter determinados equipamentos. Quino assim fez, apresentando quatro tiras de BD, que acabaram por ser recusadas pelos jornais: sendo publicidade tinham de ser pagas, pelo que essa primitiva Mafalda nunca foi publicada.

Mais tarde, o semanário Primera Plana pediu a Quino um projeto novo, tendo o autor apresentado Mafalda, cujo nome começa pela mesma letra da empresa de eletrodomésticos que inicialmente despoletou a criação da série, Mansfield.

A sua personagem emblemática, Mafalda a contestatária, surge numa série de banda desenhada publicada nos jornais e revistas em tiras (curta sequência de quadradinhos). Inicialmente, Mafalda foi publicada em Primera Plana (1964), onde surgiu durante seis meses, tendo depois sido publicada no diário El Mundo, a partir de março de 1965 e, finalmente, no Siete Dias, desde 1967 até terminar em julho de 1973, ao fim de mais de três mil tiras de BD.

Para além das tiras diárias, Mafalda surgiu também em livros, cujo primeiro foi editado em 1966 na Argentina. A primeira edição no estrangeiro aconteceu em Itália, em 1969, tendo uma introdução de Umberto Eco. Nos anos seguintes seguir-se-iam Espanha, Portugal, França, Alemanha, Grécia, entre muitos outros países.

Apesar do grande sucesso alcançado por Mafalda em diversos países, sobretudo na América Latina e na Europa, a decisão de terminar a série prendeu-se com o desejo de Quino se dedicar em exclusivo ao desenho de humor (Caricatura) e de não querer repetir situações, num trabalho diário que, ao fim de alguns anos, se torna difícil gerir.

Quino apenas abriu exceções para causas como "A Declaração dos Direitos das Crianças" para a UNICEF, e para uma campanha médica a favor da higiene oral na Argentina, em que voltou a desenhar a pequena miúda e os seus amigos.

Mas qual é o universo de Mafalda? Vive com uns pais muito resignados em relação ao que a vida lhes oferece, num retrato típico de uma família argentina (e não só) de classe média, sendo Mafalda, por vezes, particularmente cáustica com a situação doméstica da mãe.

Mafalda é também uma observadora muito perspicaz do que se passa no Mundo, sendo uma crítica implacável da sociedade. Primeiro conhece as notícias através da rádio e dos jornais, depois pela televisão, que chega "tarde" a casa, depois de muita pressão sua, pois Mafalda chegou a ser a única na escola que não tinha televisão. Está sinceramente preocupada com o destino do planeta, personificado no seu globo fétiche, com o qual tanto fala.

Quanto aos meninos da sua idade com quem se dá, vieram enriquecer decisivamente a série, pela diferença de personalidades e de objetivos de vida. Manolito (Manelinho) aspira seguir as pisadas do pai, emigrante espanhol dono de uma mercearia, local onde Manolito surge frequentemente atrás do balcão a atender clientes. Filipe é o sonhador do grupo, sendo muito tímido. Mora no mesmo prédio de Mafalda, gosta de Xadrez e de BD, imaginando-se no papel de Cavaleiro Solitário. O castiço Miguelito não gosta de sopa como Mafalda, odiando o mar, uma vez que o imagina como uma "enorme sopa"!

Com a Susaninha existem várias divergências, pois esta quer casar com um homem rico para não trabalhar e ter muitos filhos. Para além disso, é racista, não gosta de pobres e fala, fala, sendo uma cópia fiel da sua mãe. Gui (diminutivo de Guilherme) é o irmão mais novo de Mafalda, tendo aparecido em 1968. Sempre de chupeta na boca, é contestatário como a irmã. Finalmente Liberdade, a última personagem a surgir, consegue ser ainda mais contestatária que Mafalda, assumindo-se como uma verdadeira revolucionária. Como a mãe é a única senhora que trabalha fora de casa, a mãe de Liberdade merece toda a admiração de Mafalda.

Mesmo tendo terminado há décadas, a popularidade e a atualidade de Mafalda continuam a ser impressionantes, sendo justamente considerada a mais célebre heroína da BD da América Latina e um nome incontornável da banda desenhada mundial.

A adaptação aos desenhos animados aconteceu em 1993, em Espanha, quando se produziu uma série de 104 episódios de um minuto.

Em Portugal a série surgiu em maio de 1970, por intermédio das Publicações Dom Quixote, que até 1975 editaram um total de 18 livros em pequeno formato. Em 1972 a mesma editora apresentou o primeiro álbum em grande formato, seguindo-se diversos outros títulos (entre o final dos anos 70 e durante os anos 80 do século XX), também em grande formato.

Dado o grande carinho com que os leitores portugueses acolheram a série, foi editado o livro Toda a Mafalda, condensando num único volume as tiras da pequena irrequieta, para além de apresentar diversas curiosidades sobre a série e o seu autor. A Bertrand Editora apresentou em 2003 O Mundo de Mafalda, que corresponde a uma nova versão do título anterior e em 2005 surgiu Viagem com Quino e Mafalda, álbum editado pela Teorema.

Em 2001 a Fnac editou em exclusivo dois vídeos com mais de 100 episódios (de um minuto cada) de desenhos animados de Mafalda.
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