malária

A malária é uma doença provocada por algumas espécies de protozoários pertencentes ao género Plasmodium, nomeadamente Plasmodium falciparum (provoca o tipo mais grave de malária), Plasmodium Vivax, Plasmodium malariae e Plasmodium ovale. É uma das doenças infeciosas humanas mais amplamente disseminadas, apresentando-se como endémica em muitos países de África, Ásia e América Latina, embora se verifiquem frequentes casos em outras zonas do globo, devido ao fluxo de viajantes e turistas.
O modo de transmissão da malária é complexo, envolvendo um hospedeiro intermediário obrigatório (mosquitos do género Anopheles) antes de infetar o homem. O Plasmodium passa por diversas metamorfoses ao longo do ciclo de infeção. Resumidamente: quando um mosquito infetado pica, passam esporozoitos (uma das formas da metamorfose do Plasmodium) para o sangue, dirigindo-se rapidamente para o fígado, onde invadem as células hepáticas, dentro das quais se dividem rápida e assexuadamente, originando merozoitos. No fígado, quando a célula hospedeira rebenta, os merozoitos são libertados para a corrente sanguínea, onde invadem as hemácias (glóbulos vermelhos), originando trofozóitos, que se continuam a dividir assexuadamente, originando mais merozoitos, que são, de novo, libertados para a corrente sanguínea por rebentamento das hemácias, num ciclo de feedback positivo de infeção. Dentro das hemácias, alguns merozoitos vão diferenciar-se em células sexuais masculinas e femininas (gametócitos), que passam para os mosquitos quando estes picam uma pessoa infetada. Uma vez no inseto, quando ocorre a digestão das hemácias, os gametócitos ficam livres e unem-se formando um oocisto nas paredes do estômago, aí desenvolve-se um esporozoito que, quando maduro, migra para as glândulas salivares do mosquito, reiniciando o ciclo de infeção.
Os sintomas ocorrem durante a fase de infeção das hemácias, cerca de 10 a 16 dias após a entrada do protozoário no organismo. Ocorrem ciclos de febres altas, suor, dores musculares e de cabeça, tornando o doente fraco, exausto e anémico. O tempo de cada ciclo de febre varia consoante a espécie de Plasmodium responsável pela infeção, sendo vulgar a alternância de períodos de bem-estar com períodos de doença nos casos de malária benigna (P. vivax, P. malariae e P. Ovale), até que podem acabar por desaparecer espontaneamente. Nos casos de infeção por P. Falciparum, a febre e os sintomas são mais persistente, podendo ocorrer aumento do volume cerebral e pulmonar, bem como um bloqueio da atividade hepática. A taxa de mortalidade é elevada se não for tratada imediatamente, o que ocorre, em parte, devido ao bloqueio dos capilares e vénulas, pelas hemácias destruídas.
Durante quase cem anos o tratamento foi realizado apenas com recurso ao quinino, aplicando-se mais recentemente a terapia conjunta da cloroquina (destrói merozoitos no sangue) e da primaquina (atua ao nível do fígado). Como ainda não existe vacina, a prevenção da doença centra-se na erradicação dos mosquitos (hospedeiros intermédios obrigatórios para o agente infecioso), em evitar as suas picadas (por exemplo, através do recurso a repelentes) e na tomada das drogas usadas para o tratamento, como medida de profilaxia e de prevenção no caso de viagens para zonas endémicas de malária.
Em outubro de 2003 foram revelados alguns dados novos sobre a malária: investigadores portugueses do Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC) identificaram uma das etapas da infeção, trazendo novas perspetivas para o tratamento desta doença que, em média, infeta cerca de 350 milhões de pessoas por ano, chegando a causar dois milhões de mortos, sobretudo nos países em vias de desenvolvimento.
Os resultados dos estudos empreendidos pela equipa portuguesa, realizados no Laboratório de Biologia Celular da Malária, conduziram à identificação de um mecanismo de interação entre o Plasmodium e o hospedeiro. Uma vez identificadas, quer a substância libertada pelas células lesadas do hospedeiro quer a sua ação nas células vizinhas, torna-se mais fácil a redução da infeção, por bloqueio das substâncias químicas envolvidas.
Como referenciar: Porto Editora – malária na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-12-06 19:44:23]. Disponível em