Malhadinhas

Personagem da obra O Malhadinhas de Aquilino Ribeiro. "Malhadinhas de Barrelas, homem sobre o meanho, reles de figura, voz tão untuosa e tal ar de sisudez que nem o próprio Demo o julgaria capaz de, por um nonada, crivar à naifa o abdómen dum cristão. Desciam-lhe umas farripas ralas, em guisa de suíças, à borda das orelhas pequeninas e carnudas como cascas de noz; trajava jaleca curta de montanhaque; sapato de tromba erguida; faixa preta de seis voltas a aparar as volutas dobradas da corrente de muita prata - e, Aveiro vai, Aveiro vem, no ofício de almocreve, os olhos sempre frios mas sem malícia, apenas as mandíbulas de dogue a atraiçoar o bom-serás." Provido de "lábia muito pitoresca, levemente impregnada dum egoísmo pândego", a memória das suas façanhas dão matéria a esta novela que reproduz a evocação, pelo próprio António Malhadinhas, já envelhecido, dos episódios de uma biografia onde os preceitos sagrados da honra e da palavra eram as traves mestras de uma conduta quase heroica, e mercê dos quais granjeou respeito entre os seus conterrâneos. O marido de Brízida, agora pai de dezanove filhos, vai desfiando algumas das aventuras em que a sua coragem, astúcia e experiência da vida são postas à prova na reconstituição de um retrato humano que compõe a "Imagem derradeira de um Portugal bárbaro e forte que morreu" (cf. O Malhadinhas, Amadora, Bertrand, 1979, p. II).
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