Manhã do Meu inverno (Exorcismos e Prefácios)

"Apontamentos de pranto" talvez seja a melhor definição para o conteúdo dos versos reunidos em Manhã do Meu Inverno (Exorcismos e Prefácios), compostos apenas no momento em que a dor amadurece (cf. "Adiamento do Poema"), e dominados pela omnipresença do "nome do Altíssimo" ("o Musical Quotidiano"), inscrito em tudo o que existe, dentro e fora de si: "Talvez a última tentativa de dizer/ Tudo é sagrado e o profano um disfarce/ Santificado seja qualquer nome". Nenhuma das composições é concebida fora de uma vivência religiosa e mística de que a consciência da dor, na sua dimensão exorcizante, é sempre o elemento catalisador: "descubro que sou cristão no fundo da minha alma,/ arborizada em espírito, graças ao corpo que grita/ crucificado na chuva".
Como referenciar: Manhã do Meu inverno (Exorcismos e Prefácios) in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-07-23 10:30:29]. Disponível na Internet: