Manuel Bentes

Artista plástico, Manuel Bentes nasceu em Serpa, em 1885, e morreu em Vila Viçosa em 1961. Frequentou a Escola de Belas-Artes de Lisboa mas, nas palavras do artista "o clima era asfixiante". Assim, em 1905, juntamente com dois colegas, Manuel Jardim e Eduardo Viana, partiu para Paris onde se integrou num grupo de jovens artistas portugueses. Cinco anos depois, após a instauração da República, o ensino de Belas-Artes sofreu uma remodelação e Manuel Bentes foi convidado a organizar a Exposição de Arte Livre, no Salão Bobone, em Lisboa que inaugurou, em 18 de março de 1911. Em resposta a algumas crónicas surgidas, Manuel Bentes escreveu um artigo-manifesto no jornal O País, no qual defendia o Impressionismo e proclamava: "Fugimos aos dogmas do ensino, às imposições dos mestres e quanto possível às influências das escolas, porque cremos que os artistas têm uma só escola – a natureza –, um dogma único – o amor".
Manuel Bentes, que ao longo da sua vida contou sempre com a ajuda financeira da família, começou, a partir de 1913, a ter sérias dificuldades económicas depois da morte de sua mãe. Continuou, no entanto, a viver em Paris até 1938 expondo regularmente mas teve pouca sorte, o que o levou a destruir quase toda a sua obra que realizou entre 1913 e 1933. Apenas nos anos quarenta retomou a sua arte. De qualquer forma, continuou a proclamar as suas intenções estéticas procurando aliar o naturalismo com algumas lições do impressionismo, num jogo de pinceladas que captavam os efeitos da luz e a estrutura dos volumes, em paisagens e naturezas-mortas. A sua obra foi, finalmente, reconhecida em 1946 quando recebeu o Prémio Souza-Cardoso.

Como referenciar: Manuel Bentes in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2018. [consult. 2018-12-14 15:48:48]. Disponível na Internet: