Manuel Boullosa

Empresário português, Manuel Cordo Boullosa, um dos maiores empresários portugueses de sempre, nasceu a 5 de dezembro de 1905, em Lisboa, cidade onde faleceu a 6 de abril de 2000. Era o quarto filho de um casal galego imigrado em Portugal. Com cerca de uma ano de idade morreu-lhe a mãe, o que motivou a sua ida para a Galiza. Regressou alguns anos depois a Lisboa, vindo trabalhar com seu pai na venda de carvão, ligando-se logo ali aos hidrocarbonetos, negócio a que se viria a dedicar mais tarde - no caso, o petróleo - e que o tornaria um dos maiores empresários portugueses de sempre.
Antes, todavia, trabalhara como escriturário a partir dos 14 anos, ao mesmo tempo que frequentava o curso comercial na Escola Académica, que entretanto concluiu. O petróleo era mesmo o seu futuro. Depois de se dedicar à sua venda, participou em 1933 na fundação da SONAP - Sociedade Nacional de Petróleo, em parceria com um grupo francês. Pouco tempo depois, entrou no complexo petrolífero de Sines. Estava pois solidamente lançada a sua promissora atividade empresarial no ramo petrolífero. Não deixou de alargar os seus interesses ao estrangeiro, estendendo a sua atividade empresarial no setor à África Austral, onde fundou e presidiu a várias empresas petrolíferas, como a SONAPMOC e SONAREP, em Moçambique, a SONAREP South Africa e HOMEGAS, na África do Sul, a OILCOM, no Malawi e a SONAREP na Suazilândia. Manuel Boullosa tem o mérito de ter pressentido, quando ainda ninguém o poderia adivinhar, as enormes potencialidades económicas que derivam do negócio dos petróleos. Nesta linha, e já sendo conhecido internacionalmente no ramo, foi também administrador da OMNIUM Français de Petroles. Contudo, embora por muitos considerado como o único verdadeiro empresário português de petróleos, Manuel Boullosa dedicou-se a outras atividades empresariais, como no setor financeiro, onde foi, por exemplo, administrador do Banco Fonsecas & Burnay, presidente da Banque Franco-Portugaise (França), do Lissabon Bank (Alemanha) e do Banco Pinto de Magalhães (Brasil). Neste último país, foi também administrador do Banco Itaú. Deteve também, em Portugal, até 1974, uma considerável parcela das ações do Crédito Predial Português.
O seu nome aparece ligado aos maiores acontecimentos económicos em Portugal desde quase a década de 30, tendo construído um forte império económico durante o regime de Salazar, que não soçobrou ao 25 de abril, momento da vida política nacional que nada o afetou, pois manteve-se sempre numa posição independente e apenas norteada pelo ritmo da ação empresarial.
A sua atividade manteve-se até ao momento da sua morte, através da sua atuação para que se salvaguardasse a posição portuguesa na GALP - onde era um dos grandes investidores - face à pressão italiana do grupo ENI (que se viria a concretizar) para controlar boa parte das ações da empresa. Boullosa tentou manter uma participação direta na petrolífera portuguesa (pois desde 1992 participava no capital da Petrocontrol, através de dois lotes de ações, um pessoal, outro através da sua Sonacin-Soc. de Investimentos Financeiros), chegando mesmo a solicitar ao governo a devida autorização. Contudo, depois recuou, embora, à hora da morte, não deixasse de impor condições para que o negócio italiano da petrolífera fosse avante. Era, na verdade, o único verdadeiro "homem do petróleo" português.
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