Manuel de Solà-Morales

Arquiteto espanhol, Manuel de Solà-Morales Rubio nasceu em 1939, em Barcelona, formou-se em 1963 e doutorou-se em 1967, pela Escola de Arquitetura de Barcelona da Universidade Politécnica da Catalunha. É ainda licenciado em Ciências Económicas em 1965 pela Universidade de Barcelona, master em City Planning, pela Universidade de Harvard (1967), e Membro da Churchill College, Universidade de Cambridge (1971).
Leciona Urbanismo em Barcelona e cursos de Desenho Urbano (workshops) nas mais prestigiadas universidades europeias e americanas. É fundador e diretor, desde 1968, do Laboratório de Urbanismo de Barcelona, investigação da morfologia urbana. Dirigiu entre 1991-1995 os cursos de mestrado Proyectar la periferia. Participa em numerosos seminários, conferências e exposições. Importante teórico no âmbito da transformação e crescimento urbanos, é autor de numerosos estudos, livros e artigos editados em publicações da especialidade; editor de Materiales de la Ciudad e Ciencia urbanística; fundador e redator de Arquiteturas Bis e UR-Urbanismo-Revista; colabora com as publicações Lotus, Casabella, Perspecta, Archis, Daidalos, entre outras. A vertente teórica bem como a profissional marcam em igual medida e reciprocamente o seu percurso.
Recebeu os seguintes prémios: March a la Investigación, 1970; Puig i Cadafalch, 1981; Nacional de Urbanismo, 1983; Ciutat de Barcelona, 1986; Bienal de Arquitetura Española, 1994; FAD, 1995; Iber FAD, 1999; Grand Prix d'Urbanisme, Europe, 2000; e Narcis Monturiol, 2000. Desenha e produz as Urbatas, gravatas temáticas, concretamente sobre o urbanismo.
Iniciou a sua atividade profissional como discípulo dos arquitetos Ludovico Quaroni, em Roma, e de Josep Lluis Sert, em Harvard. Posteriormente estabeleceu-se em Barcelona.
Manifestando particular interesse pelo projeto à escala urbana (ver Wiel Arets e Manuel Fernandes de Sá), é fundamental o contributo dos seus projetos de transformação urbana efetuados em Barcelona nas décadas de 80 e 90, relacionados com os Jogos Olímpicos de 1992. Considera fundamental e biunívoca a relação entre projeto de arquitetura e planeamento e gestão urbanas - uma espécie de processo de indução recíproco.
Sensível às zonas mais delicadas da cidade, nelas opera de modo cirúrgico e profundo; estas correspondem normalmente ou a áreas que entraram em processos de degradação e/ou a áreas de tensão dos novos fluxos e infraestruturas, gerando terrenos intersticiais e dificultando ou anulando relações fundamentais entre partes da cidade. Detetadas as questões críticas e fulcrais, o projeto urbano, que lida com o quilómetro como unidade de medida planimétrica, é decidido em centímetros na secção, no corte, pois é aí que se determinam as relações entre os diferentes estratos horizontais. No programa, implícito ou proposto, reside quase sempre o móbil para um elemento arquitetónico insólito e emblemático. A sua forma advém quase sempre dos conceitos essenciais em causa; recorrente nos seus projetos é a noção de deslocação, de movimento; espaços de deslocação, arquitetura do movimento.
De entre as suas obras e projetos, destaque para a intervenção na frente marítima de Barcelona, Moll de La Fusta (1984); Edifício L'Illa Diagonal (com o arquiteto Rafael Moneo), Barcelona (1986-1994); o espaço público Winschoterkade, em Groningen; o bairro residencial La Sang, Alcoy, Alicante - Prémio FAD de Arquitetura 1999; transformação da área portuária de Saint-Nazaire, Nantes; a estação ferroviária e interface de Lovaina, Bélgica; a intervenção em Génova, em que o problema consiste no divórcio entre a cota alta da cidade e toda a faixa portuária à cota baixa; e a obra da frente marítima do parque da cidade, Porto, no âmbito do Programa Polis. Este projeto consiste na reposição dos terrenos (retirando o aterro efetuado) e consequentemente da relação original com o mar; o edifício-solário apoia quer o parque quer a atividade balnear, constituindo ao mesmo tempo um marco, um elemento apreendido em movimento e por isso em si mesmo mutável, tal como a cidade.
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