Manuel Nicolau Esteves Negrão

Poeta português, Manuel Nicolau Esteves Negrão nasceu em Lisboa em data incerta. Durante o fatídico terramoto de 1755, frequentava o curso de Direito da Faculdade de Coimbra, onde teve ocasião de conhecer Pedro António Correia Garção, António Dinis da Cruz e Silva e Teotónio Gomes de Carvalho, seus colegas. Concluindo os seus estudos no ano seguinte, com eles fundou uma tertúlia literária, a Arcádia Lusitana, também conhecida como Arcádia Ulissiponense, tendo sido nomeado seu secretário vitalício. Como era costume desta academia, teve que escolher um criptónimo, escolhendo o de "Almeno Sincero".
Esta associação estabeleceu definitivamente os princípios do Neo-classicismo, que se pautavam como uma recusa do barroco enquanto veículo de cultismo e conceptismo; uma maior aproximação da Natureza, que procurava imitar; libertação da rima e uma revalidação ética e moral. Destilado do Iluminismo, o Neo-classicismo procurava assim restabelecer a expressão clássica do século XVI, evidente sobretudo na obra de Camões.
Da obra de Esteves Negrão, ao que parece bastante admirada pelos seus colegas, restou apenas uma "Écloga para Celebrar a Festa do Natal", que figura no volume Poesias da autoria de Cruz e Silva. Permanece inédita e desconhecida a maior parte do seu escasso trabalho poético. Em 1765 foi nomeado pelo Marquês de Pombal como superintendente dos Tabacos do Porto e juiz desembargador do Tribunal da Relação da mesma cidade, o que originou o seu afastamento das lides literárias. Contrariamente a Correia Garção, que caiu no desfavor do Marquês de Pombal, acabando mesmo por morrer no cárcere, Esteves Negrão ascendeu na carreira política, tendo chegado a ocupar os cargos de juiz desembargador do Paço e chanceler-mor do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarve.
A Arcádia Lusitana acabou por se tornar incómoda e perseguida, pelo que cessou as suas funções em 1775.
Manuel Nicolau Esteves Negrão faleceu no ano de 1824. Curiosamente, o seu nome aparece ligado à publicação do Alvará Real de 30 de março de 1818, no qual D. João VI interditava a Maçonaria.
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