Marco António

Sobrinho de António, cônsul romano e grande orador do tempo de Mário, Marco António nasceu cerca de 83 a. C. no seio de uma família nobre de grande prestígio e iniciou a sua carreira como apoiante de Júlio César. Prestou serviço no seu estado-maior na Gália (52-51 a. C.), representou os seus interesses em Roma como tribuno (49 a. C.) e foi o comandante da ala esquerda das tropas de César na batalha de Farsalo (48 a. C.), em que este derrotou Pompeu e o seu partido. Em diversos períodos entre 49 e 47 a. C. administrou a Itália na ausência de César. Quando este foi assassinado em 44 a. C., Marco António, seu aliado, ficou a ser o único cônsul, o que o guindou automaticamente para chefe do poderoso partido cesariano e fez dele o herdeiro das posições dominantes que César detinha no Estado.
Teve como grande companheiro então Lépido, com o qual conseguiu fazer com que Cássio e Bruto, conjurados no assassinato de César, fossem desterrados de Roma. Manteve, no entanto, como linha norteadora da sua política, uma estreita ligação ao Senado. Mas dentro do partido que fora de César nem tudo estava bem, pois o herdeiro deste, Otaviano (futuro Octávio César Augusto), começou a contestar a liderança de Marco António. Otaviano, um jovem aguerrido e extremamente sagaz e empreendedor, aliou-se logo ao Senado, em meados de 43 a. C., contra António. Todavia, nesse mesmo ano, faria um recuo estratégico e assinaria com ele e Lépido um acordo de divisão tripartida do poder: o "segundo" Triunvirato. Este acordo foi reconhecido pela Lex Titia (Lei Tícia), que conferia aos três líderes cesarianos amplos poderes em Roma e em todas as províncias ocidentais durante cinco anos.
Com Otaviano, Marco António conseguiu repelir a resistência republicana de Cássio e Bruto em Filippi, no ano de 42 a. C., alcançando o controlo das ricas províncias orientais. Lépido, esse, era cada vez mais uma figura secundária e apagada politicamente, ao contrário de António, no Oriente, e Otaviano, no Ocidente, cuja rivalidade crescia de forma perigosa. Esta luta política ganhou foros de guerra quando Fúlvia, mulher de Marco António, e um seu irmão, fomentaram uma revolta contra Otaviano na Itália (guerra de Perúgia, 41-40 a. C.). Fúlvia pretendia defender os interesses de seu marido na Itália, ausente no Oriente, tendo impedido, por exemplo, a fixação de veteranos do exército na Itália por decisão de Otaviano, que se sentiu afrontado. As divergências entre os dois triúnviros ainda conheceram um período de abrandamento e alguma concórdia quando em 40 a. C., em Bríndisi, António desposou uma irmã de Otaviano, Octávia, e em 37 a. C., em Tarento, quando foram renovados os seus poderes no triunvirato.
A partir de então António ligou-se cada vez mais ao Oriente, identificando-se cada vez mais com a sua cultura helenística, evidenciando desprezo pelas tradições romanas e estabelecendo uma estreita aliança política e pessoal com Cleópatra, rainha ptolomaica do Egito. Reorganizou as províncias orientais, tentou sem êxito invadir a Pártia (aproximadamente a região do Curdistão) em 36 a. C. mas conseguiu conquistar a Arménia em 34 a. C., sucesso que o levou a celebrar um imponente triunfo em Alexandria, no Egito. Porém, ensombrou estes seus êxitos quando executou as Doações de Alexandria, que conferiam a Cleópatra e aos seus filhos algumas províncias orientais e eventuais conquistas. Esta política oriental de António não deixou de lhe dotar de uma poderosíssima base económica e estratégica, embora tenha fornecido trunfos políticos a Otaviano para o fazer cair em desgraça e descrédito na Itália. Podia então Otaviano declarar-lhe, em 32, uma guerra nacional de Roma contra António, tido como um traidor e aproveitador das riquezas conquistadas em nome da Cidade para seu proveito. Esta guerra era dirigida oficialmente contra Cleópatra, mas o alvo principal era Marco António, que acabou assim por ser derrotado na batalha de Actium em 31. Abandonado pelas suas tropas fiéis, caído em desgraça pública, retira-se para o Egito e suicida-se em 30 a. C., em Alexandria.
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