Margarida de Abreu

Professora portuguesa de dança, Margarida Hoffmann de Barros Abreu Salomão de Oliveira, nascida a 26 de novembro de 1915, em Lisboa, e falecida a 29 de setembro de 2006, foi a precursora do ensino da dança em Portugal.
Margarida de Abreu iniciou a sua ligação à dança aos doze anos através da ginástica rítmica dalcrozeana. Cinco anos mais tarde, mudou-se para Genebra, na Suíça, para frequentar o Instituto Dalcroze, onde se formou aos 22 anos. Prosseguiu os estudos na Alemanha, no Deutsche Tanz Schule, de Berlim, e depois na Áustria, no Hellerau Laxemburg Schule, de Viena. Por sofrer de ciática, Margarida de Abreu deixou de dançar e mudou-se para Inglaterra com intuito de fazer estágios de ensino. Estudou então, em 1937 e 1938, no Sadler's Wells, de Londres, que hoje em dia se chama Royal Ballet School.
No ano seguinte, regressou a Portugal e tornou-se professora de dança do curso de teatro do Conservatório Nacional. Acabou por desempenhar estas funções ao longo de 47 anos, até 1986, tendo ensinado atores como João d'Ávila, Catarina Avelar, Alina Vaz e Mariana Rey-Monteiro. Paralelamente, lecionou no seu estúdio particular, também em Lisboa.
Entretanto, em 1944, criou o Círculo de Iniciação Coreográfica (CIC), constituído por alunas do conservatório, que serviu para divulgar o bailado clássico. Dois anos mais tarde, Margarida de Abreu, no seguimento desta política, publicou um manifesto em defesa da dança e do seu ensino como forma de arte. O CIC fechou em 1960. A partir desse ano, a professora e um seu antigo aluno, Fernando Lima, foram convidados para remodelar os Bailados Verde Gaio e tentaram contrariar o que consideravam ser a estilização do folclore. Durante os 18 anos em que dirigiu os Verde Gaio introduziu as técnicas classicista e expressionista. Na mesma época, Margarida de Abreu integrou, enquanto coreógrafa, a Escola de Bailado do São Carlos, onde esteve entre 1964 e 1972.
O seu trabalho de coreógrafa ficou patente em obras como Bailado Setencista, Pastoral, O Pássaro de Fogo, Serenata, Dança do Vento, Noturnos e A Menina dos Olhos Verdes.
Margarida de Abreu trabalhou também no cinema, nomeadamente através de colaborações com Manoel de Oliveira em Amor de Perdição, Francisca e Os Canibais.
Ao longo da sua carreira, a professora foi agraciada com diversos prémios ou galardões, tais como a Ordem de Instrução Pública e o Troféu da Casa da Imprensa, ambos em 1979, a Medalha Almeida Garrett, em 1980, e a Medalha de Mérito Artístico do Conselho Brasileiro de Dança, em 1990.
Como referenciar: Porto Editora – Margarida de Abreu na Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2021-11-29 12:37:59]. Disponível em