Maria Bethânia

Cantora basileira, de nome completo Maria Bethânia Vianna Telles Veloso, nasceu no dia 18 de junho de 1946 em Santo Amaro da Purificação.
Desde a infância gostava de cantar, imitando os artistas que ouvia na rádio e sabia que o seu destino era o palco. Sonhava em ser bailarina e queria também subir aos palcos como atriz, não estando nos seus planos imediatos o canto. A estreia no palco estava mais próxima do que ela mesmo pensava. Em 1963 subiu pela primeira vez ao palco para cantar na peça Boca de Ouro, musicada pelo seu irmão Caetano Veloso. Nesse mesmo ano começou a cantar e a trabalhar com artistas como Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé e Djalma Corrêa, entre outros. Juntos deram vários espetáculos em 1964, dos quais se destacaram Nós, Por Exemplo e Nova Bossa Velha, Velha Bossa Nova. No espetáculo Mora na Filosofia (1964), Bethânia surgiu pela primeira vez sozinha em palco, lançada definitivamente como cantora por Caetano Veloso.
Em 1965, obteve o seu primeiro sucesso nacional, com a canção "Carcará", incluída na peça Opinião, com a qual criou a imagem de cantora de protesto. Nesse mesmo ano editou o álbum de estreia Maria Bethânia, que, para além de "Carcará", incluiu "Sol Negro", em dueto com Gal Costa, "Feiticeira" e "Mora Na Filosofia". Da sua extensa discografia destacam-se os seguintes trabalhos: Edu & Bethânia (1967), no qual surge ao lado de Edu Lobo, compositor de bossa-nova; A Tua Presença (1971), o primeiro álbum a receber elogios da crítica; La Fusa (1971), uma celebração da bossa-nova que juntou Vinicius de Moraes, Toquinho e Maria Bethânia; Drama (1972), que incluiu o êxito "Iansã"; Pássaro Proibido (1976), primeiro disco de ouro da sua carreira, que incluiu o tema "Olhos Nos Olhos"; Pássaro da Manhã (1977), álbum que constituiu o segundo disco de ouro da sua carreira; Álibi (1978), um dos seus álbuns de maior sucesso tanto estético como comercial, que incluiu uma versão do tema de Chico Buarque "Cálice" e o dueto com Gal Costa em "Sonho Meu"; Talismã (1980); Alteza (1981); Dezembros (1986), disco com canções inéditas de Tom Jobim, Chico Buarque e Caetano Veloso; Maria (1988), que contou com as participações especiais de Jeanne Moreau e Gal Costa; 25 Anos (1990), com participações especiais de Nina Simone, Egberto Gismonti e de João Gilberto, entre outros; As Canções Que Você Fez Pra Mim (1994), tributo de Bethânia a Roberto Carlos; A Força Que Nunca Seca (1999).
A carreira de Maria Bethânia é ainda bastante rica no que diz respeito a discos ao vivo, destacando-se Rosa dos Ventos - O Show Encantado (1971), que constituiu um dos seus mais fortes álbuns ao vivo e cujo espetáculo deu início a uma série de concertos de cariz teatral que a consagraram definitivamente; Recital Boite Barroco (1968); A Cena Muda (1974), registo do espetáculo que comemorou 10 anos de carreira; Chico Buarque e Maria Bethânia ao Vivo no Canecão (1975); Os Doces Bárbaros (1976), espetáculo que juntou Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa; Maria Bethânia e Caetano Veloso - Ao Vivo (1978); Nossos Momentos (1982); e Imitação da Vida (1997).
A 26 e 27 de maio de 1998, Maria Bethânia foi convidada para atuar ao lado da cantora portuguesa Mísia, em dois concertos na Expo 98, exposição universal que comemorou os 500 anos dos Descobrimentos portugueses. A 23 de maio de 1999 surgiu ao lado do escritor António Alçada Batista no programa televisivo Atlântico, da autoria de Eugénia Melo e Castro.
No cinema surgiu ao lado de Chico Buarque e Nara Leão, no filme Quando o Carnaval Chegar (1972), de Carlos Diegues.
O ano de 2000 marcou alguma atividade para Maria Bethânia. No âmbito das comemorações dos 500 anos do achamento do Brasil, Maria Bethânia juntou-se a Gal Costa e a Pavarotti num espetáculo memorável, em Salvador.
Desde sempre muito religiosa, a cantora recolheu ladainhas e músicas tradicionais da sua terra. Além disso, encomendou outras peças a amigos e juntou tudo no disco Cânticos, Preces, Súplicas à Senhora dos Jardins do Céu (2000). Em 2001, mais uma edição discográfica, Maricotinha, disco que deu origem a uma digressão com o mesmo nome. O sucesso dos espetáculos acabaria por dar origem à edição em disco Maricotinha ao Vivo (2002) e em DVD (2003).
O regresso ao estúdio aconteceu em 2003, dando origem ao disco Brasileirinho, contando com algumas participações especiais, nomeadamente do seu irmão Caetano Veloso e de Nana Caymmi.
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