Maria Ondina Braga

Escritora ficcionista portuguesa, nasceu a 13 de janeiro de 1932 em Braga, onde faleceu a 14 de março de 2003.

Depois de concluir os estudos liceais na sua cidade natal, prosseguiu os seus estudos em França e na Inglaterra, trabalhando ainda como enfermeira. Regressa a Portugal em 1964, depois de ter sido professora, sucessivamente, em Angola, Goa e Macau.
Desenvolvendo também a atividade de tradutora (traduziu, entre outros, Erskine Caldwell, Graham Greene, Bertrand Russel, Marcuse, Todorov), colaborou em várias publicações periódicas como Diário de Notícias, Diário Popular, A Capital, Panorama, Colóquio/Letras e Mulher. Incluindo na sua bibliografia a poesia e as crónicas de viagem, Maria Ondina Braga afirmou-se como ficcionista, sendo considerada um dos grandes nomes femininos da narrativa portuguesa contemporânea.

Recebeu o Prémio Ricardo Malheiros para o volume de contos Amor e Morte, em 1970, e o Prémio Eça de Queirós para o romance Noturno em Macau, em 1991. Colhendo a experiência da sua vivência de errância, os contos, novelas e romances de Maria Ondina Braga, frequentemente protagonizados por mulheres evocadas no seu viver solitário e angustiado, mitificam, através da memória do narrador que apreende subjetivamente essas figuras, situações de aprendizagem e iniciação, de transição entre idades, de confronto entre o eu e o mundo.

Para Manuel Frias Martins, a escrita enigmática de Maria Ondina Braga é perpassada, na sua sobriedade e densidade simbólica, pela "intenção de narrar histórias singulares de gente singular no quadro da fixação das qualidades mais escondidas (e mais enigmáticas) da sua natureza de seres que existem em si e por si" e por um "sentido" que "ultrapassa a problemática individual e localizada, oferecendo-se ao leitor como veículo objetivo para a reflexão sobre as condições gerais do existir coletivo", sendo que "Pela primeira se reconhece a força subjetiva que estimula e organiza a escrita de Maria Ondina Braga" e "Pelo segundo se penetra no espaço da existência coletiva (no seu reconhecimento objetivo) onde as personagens individuais não são senão exteriorizações particulares dos múltiplos enigmas que nele ocorrem" (cf. MARTINS, Manuel Frias - Sombras e Transparências da Literatura, Lisboa, INCM, 1983, p. 170).
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