Maria Teresa de Noronha

Fadista, Maria Teresa do Carmo de Noronha Guimarães Seródio, nasceu a 7 de setembro de 1918, em Lisboa, e faleceu a 5 de julho de 1993, em Sintra. Juntamente com Amália Rodrigues, Hermínia Silva e Alfredo Marceneiro, é a mais significativa voz do fado no século XX. Foi a primeira grande representante do chamado «fado aristocrático». E é tia do fadista Vicente da Câmara.
Maria Teresa de Noronha é descendente dos condes de Paraty, o primeiro dos quais foi Par do Reino e Gentil-Homem da Câmara de D. João VI. E viria a tornar-se Condessa de Sabrosa por casamento com José António Barbosa Guimarães Seródio. O meio aristocrático onde sempre viveu marcou indelevelmente todo o seu percurso artístico.
Sobrinha-neta do guitarrista e cantador João do Carmo de Noronha, integrou, juntamente com o seu irmão, Vasco de Noronha, o coro do maestro Ivo Cruz. Teve formação de canto e piano. Começou a cantar fado muito nova, no círculo restrito de familiares e amigos, que se foi alargando a outras casas e salões. Em Alcochete, nas terras da sua família, onde passava o verão, surpreendia de quando em vez a população com a sua esplendorosa voz, em serões de fado ao ar livre.
Em 1938, iniciou a sua colaboração semanal num programa radiofónico da recentemente fundada Emissora Nacional que consistia em quatro fados e uma guitarrada, de início acompanhada por Fernando Freitas e Abel Negrão. Manteve o programa 23 anos consecutivos. Em 1939, gravou o seu primeiro álbum, na própria Emissora Nacional. A que se seguiram dezenas de outros, numa discografia muito dispersa, como era habitual na época. Destaca-se por isso a coletânea editada pela Emi-Valentim de Carvalho em 1993.
A sua voz límpida e bem timbrada, com um estilo único e bem definido, chegou a rivalizar com a de Amália Rodrigues. E conquistou muitos admiradores de todas as classes sociais, participando regularmente em concertos de beneficência. Teve também uma carreira internacional brilhante, de que se destacam as atuações na Feira do Livro de Barcelona, no Principado do Mónaco, na BBC e uma digressão que fez no Brasil, aquando da inauguração do voo Lisboa-Rio de janeiro.
Conta com um reportório muito vasto e com algumas ousadias, como a de cantar o fado de Coimbra, que, segundo a tradição, só era interpretado por homens. São muitas as interpretações que a imortalizaram. Entre outros fados, "Pintadinho" (José Mariano), "Fado João" (Maria Carlota de Noronha/João de Noronha), "Fado das Horas" (António de Bragança), "Saudades das Saudades" (António de Bragança/José António Sabrosa), "Fado Anadia" (Marques dos Santos), "De Loucura em Loucura" (João Dias/Martinho d'Assunção), "Desengano" (Mário Pissarra/José Marques) ou "Fado da Verdade", este último em resposta à polémica levantada pelas conferências de Luís Moita na Emissora Nacional, Fado Canção de Vencidos. Ela própria escreveu algumas letras, incluindo uma versão do "Fado Corrido", a que chamou "Corrido Antigo". Foram muitos os guitarristas que a acompanharam, com destaque para Raul Nery, Joaquim Vale e Joel Pina.
Em 1962 pôs fim à sua carreira artística. E teve uma grandiosa festa de homenagem onde participaram grandes figuras do fado. A partir daí passou a cantar apenas num círculo fechado de amigos e familiares. A sua última aparição pública foi em 1973.
Faleceu aos 74 anos, em Sintra. Foram-lhe prestadas inúmeras homenagens. É considerada uma das maiores fadistas de sempre e uma referência recorrente nas gerações que se lhe seguiram, embora a sua voz seja inimitável. A cidade de Lisboa prestou-lhe um justo tributo ao atribuir o seu nome a uma rua da cidade, no Bairro do Camarão da Ajuda.
Como referenciar: Maria Teresa de Noronha in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2018. [consult. 2018-12-14 14:42:01]. Disponível na Internet: