Martinho da Vila

Cantor e compositor de samba, Martinho José Ferreira nasceu no dia 12 de fevereiro de 1938, no Rio de Janeiro. Em 1962, compôs o seu primeiro samba-enredo para a escola Aprendizes da Boca do Mato, do Bairro de Lins, no Rio de Janeiro.
Adotou o nome "Martinho da Vila" a partir da escola de samba Vila Isabel com a qual passou a colaborar a partir de 1966.
Iniciou a sua carreira profissional em 1967, no terceiro Festival de Música, realizado pela TV Record de São Paulo, onde apresentou o tema "Menina e Moça". No ano seguinte, repetiu a participação com a canção "Casa de Bamba", obtendo grande aceitação por parte do público e da crítica. Em 1969 editou o álbum de estreia, Martinho da Vila, ao qual se seguiu um repertório dos mais ricos da música popular brasileira. Da longa lista de álbuns que gravou destacam-se: Canta, Canta Minha Gente (1974), que incluiu o êxito "Disritmia"; Sentimentos (1981), que incluiu o sucesso "Ex-Amor"; Festa da Raça (1988), em comemoração dos 100 anos da abolição; O Canto das Lavadeiras (1989), que incluiu os êxitos "Madalena do Jucú" e "Dancei" - este último tema fez parte da telenovela Tieta; Martinho da Vila (1990), dedicado a Winnie Mandela, e que incluiu "Meu Homem", em homenagem a Nelson Mandela; Vai, Meu Samba, Vai (1991), disco em que reuniu os seus grandes amigos e músicos como Rosinha de Valença, Manoel da Conceição, Mané do Cavaco e Alceu Maia, entre outros; Martinho da Vila (1992), trabalho que comemorou 25 anos de carreira, 25 álbuns gravados, atingindo a marca de 10 milhões de discos vendidos no Brasil; Ao Rio de Janeiro (1994), álbum que contou com a participação de Gabriel, O Pensador; Tá Delícia, Tá Gostoso (1995), um dos maiores sucessos da sua carreira, que incluiu os êxitos "Mulheres", "Tá Delícia, Tá Gostoso", "Devagar Devagarinho" e "Cuca Maluca"; e Coisas de Deus (1997), onde reuniu outros artistas, tais como Walter Rosa, Picolino, Nelson Rufino, Zuzuca, Zé Catimba, Alceu Maia, Mané do Cavaco, Rildo Hora, Luís Carlos da Vila, Paulo Moura, entre outros.
Em 1991 recebeu o Prémio Shell de Música Popular Brasileira, anteriormente atribuído a grandes nomes como Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso e Dorival Caymmi, entre outros.
Das edições discográficas mais recentes, destaque para o registo ao vivo 3.0 Turbinado (1998), uma revisão original de alguns dos seus sucessos, Lusofonia (2000), onde o cantor percorre alguns dos êxitos da música lusófona, merecendo uma referência a versão de "Lisboa Menina e Moça", e Voz e Coração (2002).
Em 2003, o cantor-compositor voltou aos estúdios e lançou Conexões. O disco mostra algumas versões das suas músicas mais conhecidas, em língua francesa, numa clara aproximação de Martinho da Vila aos mercados francófonos.
Martinho da da Vila é hoje considerado um dos principais nomes da música brasileira, com ligações sólidas ao samba, marcadas em mais de 30 anos de carreira. Além das edições musicais, o cantor tem uma outra atividade, a escrita. O livro Memórias Póstumas de Teresa de Jesus, lançado em 2003, o sexto livro de Martinho da Vila, é um testemunho da capacidade do músico.
Como referenciar: Martinho da Vila in Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2020. [consult. 2020-02-24 13:34:44]. Disponível na Internet: