Martins Capela

Padre, professor e arqueólogo português, Manuel José Martins Capela nasceu a 28 de outubro de 1842, na freguesia da Carvalheira, em Terras do Bouro, no distrito de Braga.
Ordenou-se sacerdote em 1866 e exerceu as funções de pároco até 1880. Frequentou seminários e institutos religiosos em França, Itália e Espanha, com o objetivo de comparar o sistema de ensino e os regulamentos internos.
A partir de 1880, dedicou-se ao magistério, sendo professor em vários estabelecimentos escolares, como o Colégio da Formiga (Ermesinde), o Colégio do Espírito Santo (Braga), o Liceu de Viana do Castelo e o de Braga e o Seminário Conciliar (Braga). Neste último estabelecimento, introduziu a disciplina de Filosofia Tomista, filosofia essa que considerava ser a melhor de entre todas as filosofias contemporâneas. Defendeu esta ideia no seu livro, Oportunidade da Filosofia Tomista em Portugal (1892). Na pedagogia, defendeu as "sabatinas", isto é, exercícios escolares que permitissem instigar o estudo e o espírito dos alunos e dinamizou academias, conferências escolares e atividades de carácter intelectual. O pedagogo desempenhou também um papel relevante em instituições da Igreja Católica. Esteve associado à fundação e dinamização da Conferência de São Vicente de Paulo, foi sócio honorário da Associação Católica de Braga e comissário da Ordem Terceira do Carmo de Viana do Castelo. Entre 1901 e 1910, foi um dos principais dirigentes do Partido Nacionalista, em Braga e em Terras de Bouro.
Martins Capela desenvolveu um trabalho significativo na arqueologia portuguesa, exercendo vários cargos nessa área: foi colaborador científico de Francisco Martins Sarmento (1882-1890); sócio-correspondente da Real Associação dos Arquitetos Civis e Arqueólogos (1892), da qual foi presidente da delegação bracarense (1906-1909); sócio-correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa (1896), do Instituto de Coimbra (1896) e da Real Academia de História de Madrid (1898).
Para além dos vários artigos publicados em diversos órgãos de comunicação, publicou ainda alguns títulos, como A Roma! (1880), Miliários do Conventus Bracaraugustabus em Portugal (1898) e De Sapientia (1898).
Em 1903, recebeu a comenda de Oficial da Ordem de Santiago e, em 1908, foi nomeado membro da Comissão de Salvaguarda dos Monumentos da Cidade de Braga, pela sua dedicação àquela área.
Manuel José Martins Capela faleceu a 3 de novembro de 1925, com 83 anos, em Carvalheira.
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