Marvin Camras

Engenheiro eletrotécnico, Marvin Camras nasceu a 1 de janeiro de 1916, em Chicago, Estados Unidos da América. Aos cinco anos era já considerado um "inventor" pela família, dadas as suas constantes experiências e invenções. Posteriormente, dedicou o seu génio ao ramo da eletrónica, tendo, ainda adolescente, construído um telefone para falar com o seu primo, William.
Em 1934, Camras ingressa na Academia Superior de Tecnologia, (presentemente, Instituto Superior de Tecnologia de Illinois) onde obteve a licenciatura em engenharia eletrónica. Em 1940 fez o mestrado em engenharia e, dois anos mais tarde, o doutoramento. Simultaneamente, o seu primo aspirava a uma carreira como cantor lírico. Motivado pela ideia de fazer gravações temporárias da voz de William, Camras recuperou um invento do engenheiro dinamarquês Valdemar Poulsen - o telegrafone - que, em 1898, provou que os sons podiam ser gravados magneticamente. Primeiro, Camras utilizou fio de piano magnetizado para gravar os exercícios de canto lírico do primo. Este fio torcia-se e à medida que era enrolado pela máquina provocava distorção da execução sonora. Para debelar este problema, o engenheiro inventou uma solução: uma cabeça magnética de gravação que enrolasse o fio sem nele tocar, imprimindo-se assim, simetricamente, a gravação. Camras registou, então, a sua primeira de muitas patentes e ingressou na Fundação Nacional de Pesquisa Militar.
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Camras adaptou o seu invento para fins militares: na marinha, simulando sinais de ataque em profundidade, com o objetivo de treinar os pilotos dos submarinos. No exército, os aliados usaram os seus gravadores, «Modelo 50», para aterrorizarem o inimigo reproduzindo o som dos ataques em "alto-volume".
Após a guerra, Camras mudou o suporte do seu invento: de fios passou a fita magnética. Depois de ter realizado centenas de experiências, desenvolveu uma cobertura de óxido de ferro para a fita, cujas partículas, quando magnetizadas, se alinhariam uniformemente formando uma superfície perfeita de gravação.
A partir dos anos 50, Camras inventou um conjunto de equipamentos no âmbito da gravação magnética, abrangendo a gravação de alta-frequência com sinal - que é um método de utilizar os sons de alta-frequência de forma a sensibilizarem a fita magnética para os sons de baixa-frequência que resultam numa maior clareza do espetro auditivo. Igualmente criou a gravação em som "stereo" e a função de reprodução por gravador. As suas outras invenções incluem gravação em pista múltipla, bandas sonoras magnéticas para o cinema e um protótipo de um gravador de vídeo.
O sistema de gravação de som em fita magnética criado por Marvin Camras permanece, ainda hoje, como um dos suportes da indústria dos media, entretenimento e informática, movimentando mais de 40 biliões de dólares por ano, nos Estados Unidos da América.
Em 1968, recebeu um doutoramento Honoris Causa do Instituto Superior de Tecnologia de Illinois, onde lecionou engenharia eletrónica durante cinquenta anos (1944-1994). Em 1985, foi-lhe concedido um lugar no Passeio Nacional dos Inventores. Cinco anos depois, o Presidente George Bush concedeu-lhe a Medalha Nacional da Tecnologia.
A 23 de junho de 1995, Marvin Camras morreu, vítima de doença prolongada.
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