masoquismo

Parafilia ou perversão, o masoquismo sexual envolve o ato real de ser humilhado, espancado, atado ou de outra forma submetido a sofrimento. Alguns indivíduos sentem-se perturbados pelas suas fantasias masoquistas, que podem ser invocadas durante o intercurso sexual ou a masturbação, mas não atuadas de outro modo.
De um ponto de vista psicológico, em todos os graus possíveis de uma atitude passiva em face da vida sexual e do seu objeto sexual, o ponto culminante é atingido quando a satisfação depende necessariamente de um sofrimento físico ou psíquico infligido pelo objeto sexual.
O masoquismo, enquanto perversão, parece mais afastado do fim sexual normal do que o sadismo. Não se sabe se é um fenómeno primário ou se não resultará de uma transformação do sadismo. Muitas vezes, o masoquismo não é mais do que uma continuação do sadismo que se volta contra o sujeito, o qual toma o lugar do seu objeto sexual. O masoquismo é um sadismo orientado para o próprio. De facto, o sadismo e o masoquismo são complementares, sendo o masoquismo uma espécie de sadismo invertido. O que caracteriza esta perversão é que se encontra a sua forma ativa e a sua forma passiva no mesmo indivíduo. Aquele que nas relações sexuais tem prazer em infligir dor também é capaz de gozar a dor que sente, ou seja, um sádico é ao mesmo tempo masoquista, o que não impede que o lado ativo ou o lado passivo da perversão possa predominar e caracterizar a atividade sexual preponderante.
Segundo Freud, o masoquista retira prazer sempre que se identifica com o sádico.
Em termos psicanalíticos, o fim último de um masoquista é o de ser atormentado e o fim pulsional é passivo. Existe uma pulsão agressiva inicialmente dirigida para o mundo exterior, a qual, por medo de perda de amor ou por culpa, é redirecionada para o sujeito e investida sobre si mesmo. No masoquismo, funciona mais um sentimento de culpabilidade do que de um sentimento de inferioridade. Existe um sentimento de culpa inconsciente.
Numa primeira fase, o individuo é sádico, exerce violência e dor sobre um objeto exterior. Numa segunda fase, o objeto exterior seria abandonado e o próprio indivíduo substitui-se ao objeto, dando-se um retorno sobre si próprio. Nesta fase dá-se a complementaridade, ou seja, uma reinversão da pulsão: o fim da ação ativa torna-se passiva.
Na terceira e última fase, escolhe-se outro objeto exterior, e este objeto vai assumir o papel que anteriormente era do sujeito (sádico). O objeto (pessoa) vai provocar dor no sujeito ao desempenhar o papel anterior do sujeito.
Nestes casos, em que uma pessoa necessita de humilhação e dor para obter prazer sexual, pode estar a repetir situações de abuso infantil.
Fenichel, em 1945, diz que os masoquistas fazem um sacrifício, aceitando um "mal menor", em lugar da possibilidade e medo de castração. Também podem estar convencidos que merecem punição pelos seus desejos sádicos.
Os masoquistas defendem-se, em alguns casos, da ansiedade de separação, submetendo-se ao abuso. Com receio da perda do objeto de amor, preferem sofrer.
Frequentemente acreditam que uma relação sadomasoquista é a única forma disponível de relação, um relacionamento abusivo é melhor de que nenhum relacionamento.
O comportamento masoquista pode representar um esforço grandioso em tentar restaurar a sensação de se estar vivo. Embora aparentemente autodestrutivo, o masoquismo pode ser vivenciado pela pessoa como um restaurador do self. Para uns, dor física é melhor que vazio mental. Na ausência da dor física e abuso do outro, os masoquistas não sentem e não existem.
Freud detetou três registos masoquistas:

- Erógeno: é uma organização perversa, o sofrimento serve para esconder o prazer que sente e ao mesmo tempo atiçar o prazer no outro;
- Feminino: ligado à passividade, a uma inferioridade feminina, em que se tem de se subjugar ao outro e sentir humilhação;
- Moral: comportamento agressivo centrado no sujeito, mas também uma provocação ao objeto que lhe inflige o sofrimento. É uma agressão ao outro e a camuflagem dessa própria agressão, isto porque existe sempre um mecanismo agressivo debaixo de um carácter masoquista. O masoquista permite a agressão e o ataque do outro, à sombra do sadismo dirigido a si mesmo.
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