Matanças de Sharpeville e Langa

Também conhecido como o "massacre de Sharpeville", este acontecimento teve como origem os problemas raciais na África do Sul entre as várias comunidades étnicas, mesmo entre brancos ingleses e afrikaners.
Em 1958, o Dr. Hendrik Verwoerd ocupou o cargo de chefe de Estado da República da África do Sul, mantendo a política extremista e segregacionista dos seus antecessores (Malan, Strijdom). Aliás, enquanto ministro dos Assuntos Nativos, em 1956, fora mesmo autor de um Plano de Segregação Racial que dividia o país em territórios para brancos e para negros, que a ONU e a comunidade internacional viria a criticar. Do mesmo modo, já em 1957 houvera contestação e desobediência civil na população.
A 21 e 22 de março de 1960 sucederam-se manifestações da população negra nos subúrbios da Cidade do Cabo, como protesto a uma ordem do Governo que exigia documentos especiais de identidade aos negros para viverem e trabalharem em áreas urbanas. A Polícia disparou contra os manifestantes em Langa e Sharpeville, ação que se traduziu num saldo trágico de 72 mortos.
A 30 de março de 1960, os negros declararam greve e organizaram uma manifestação na Cidade do Cabo. O Governo tomou medidas de exceção e declarou o estado de emergência. Muitos dos manifestantes, entre os quais se contaram também brancos, foram presos. Até 31 de agosto a situação manter-se-ia, com o estado de emergência. O descontentamento e as críticas no estrangeiro, nomeadamente por parte da ONU, foram uma constante. Na África do Sul, contudo, o ANC (Congresso Nacional Africano) de Nelson Mandela foi proibido, acusado de instigar os manifestantes. A política segregacionista de apartheid persistiu apesar das condenações internacionais e do isolamento da África do Sul até finais da década de 80.
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