Matilde de Melo

Personagem da obra Felizmente Há Luar!, de Luís de Sttau Monteiro, Matilde de Melo é a mulher do General Gomes Freire d'Andrade, condenado à morte na sequência de uma suposta conspiração contra D. Miguel. Figura trágica, Matilde, que tenta desesperadamente, pelo seu discurso, salvar o seu homem, assume-se como voz da consciência e da revolta contra a injustiça humana. No confronto entre Matilde e D. Miguel Forjaz ou o Principal Sousa, joga-se o conflito entre a fraternidade, a igualdade e a liberdade, ou seja, os lemas da revolução liberal, que a figura histórica do General auguraria, e o cinismo, o egoísmo, a hierarquia dos explorados, a opressão que os seus interlocutores assumem como inerentes à condição humana. À medida que vai compreendendo a inutilidade das suas palavras, Matilde, colhendo na recordação impressiva da mudança que o amor de Gomes Freire operara na sua vida a força para não desanimar, assume sem temor a coragem de desafiar um Estado política, social e religiosamente corrompido, nela se concentrando toda a força dramática da peça e por ela canalizando a voz de um autor que, sob o motivo histórico, visa criticar um presente (a ditadura salazarista) em tudo paralelo àqueles anos conturbados que precederam o fim do antigo regime.
Como referenciar: Matilde de Melo in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-06-20 08:33:11]. Disponível na Internet: