Maurice Béjart

Bailarino e coreógrafo francês, Maurice Béjart, nome artístico de Maurice Jean de Berger, nasceu a 1 de janeiro de 1927, em Marselha, França, e faleceu a 22 de novembro de 2007, em Lausanne, na Suíça.
Filho do filósofo e psicólogo Gaston Berger, começou a aprender a dançar, aos 14 anos, tendo como professores Madame Lubov Egorova, Madame Rousanne e Léo Staats, e iniciou a sua carreira, em Vichy, em 1946. Posteriormente, continuou a sua formação com os companheiros Janine Charrat e Roland Petit, no London Internacional Ballet, em Londres. Em 1949, realizando uma tournée como o Ballet Sueco Culberg, descobriu o poder e o vigor do expressionismo coreográfico.
Quando regressou a França, instalou-se em Paris onde se tornou conhecido da crítica ao coreografar as obras de Chopin. Em 1954, fundou o Ballet de l'Étoile e, em 1955, iniciou a sua carreira de coreógrafo com o bailado Sinfonia para um Homem Solitário, composto por Pierre Henry e Pierre Schaeffer. Inventando a sua própria linguagem coreográfica, produziu uma série de criações, como Alta Voltagem, Prometeu e Sonata a Três, esta baseada em Huis Clos de Jean-Paul Sartre e que provocou uma sensação de estranheza no público pela linguagem perturbadora com que foi apresentada. Em 1959, obteve um enorme sucesso com a encenação da Sagração da primavera de Stravinsky, no Teatro Real da Moeda, em Bruxelas. Estabelecendo-se em Bruxelas, fundou o Ballet du XXe Siècle (1960), uma companhia internacional com a qual percorreu o mundo inteiro, conquistando vários sucessos com diversas coreografias. Delas se destacam: Bolero (1961, música de Ravel); A Danação de Fausto (1964, composto por Berlioz), que escandalizou a Ópera de Paris pela sua abordagem arrojada; Missa para o Tempo Presente (1967, música de Pierre Henry); O Pássaro de Fogo (1970, de Stravinsky). Fizeram parte daquela companhia bailarinos de prestígio mundial, como Jorge Donn, Suzanne Farrell, Daniel Lommel e Gil Roman.
Fundou também algumas instituições de ensino, como a Escola Mudra (1970), em Bruxelas, a Escola das Areias (École des Sables, 1977), perto de Dakar, e a Escola-Atelier Rudra (1992), em Lausanne (Suíça). Em 1987, estabeleceu-se em Lausanne e a sua companhia Ballet du XXe Siècle foi rebatizada - Béjart Ballet Laussanne. Continuou o trabalho, produzindo espetáculos por todo o mundo, incluindo Portugal, em 1968 e em 2004. Deste país, foi expulso, em 1968, pela PIDE por se ter manifestado, depois do seu espetáculo, contra o fascismo, que se vivia então em Portugal. Em 2002, fundou uma nova companhia, a Compagnie M.
Abrangendo um vasto reportório musical (de Wagner a Boulez), o seu trabalho reveste-se de grande modernidade e reflete o gosto pela diversidade ao inspirar-se também na cultura oriental, através de modelos dos teatros Kabuki (Japão) e Bhakti (Índia) e das músicas tradicionais judaicas, islâmicas e iranianas.
Maurice Béjart recebeu várias homenagens e prémios, como a condecoração de Cavaleiro das Artes e das Letras (1967), atribuída pelo Estado francês, a Ordem do Sol Nascente (1986), concedida pelo Imperador Hirohito do Japão, o Prémio Imperial (1993) da Associação de Arte do Japão, o Prémio da Fundação da Paz (1995), atribuído por Sua Santidade João Paulo II, entre outras distinções.
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