Mauritânia

Geografia
País do Norte de África. Situado na secção ocidental do deserto do Sara, ocupa uma área de 1 030 700 km2. É banhado pelo oceano Atlântico a oeste e faz fronteira com o Sara Ocidental a noroeste e a norte, a Argélia a nordeste, o Mali a leste e a sudeste, e o Senegal a sudoeste. As principais cidades são Nouakchott, a capital, com 678 700 habitantes (2004), Nouadhibou (82 500 hab.), Kaédi (52 800 hab.), Kiffa (71 000 hab.) e Rosso (51 900 hab.).
O território mauritano é constituído predominantemente por planícies desérticas.
Clima
De clima predominantemente desértico quente, a Mauritânia apresenta, no entanto, clima tropical seco no Sul, com uma curta e irregular estação das chuvas de julho a outubro.

Economia
Economicamente, a Mauritânia tem na agricultura e na exploração mineira as suas principais atividades, depois da pesca. As principais zonas de cultivo encontram-se junto ao rio Senegal (no Sul) e nos oásis, sendo produzido, principalmente, o milho, o feijão, o sorgo, o arroz e o algodão. A agricultura contribui em 1/3 para o PIB e emprega 2/3 da mão de obra disponível, embora a sua produtividade esteja dependente de condicionalismos climatéricos. A exploração mineira encontra-se fortemente implantada nas cidades de Zouirât e Akjoujt, onde existem extensos depósitos de ferro e cobre que são transportados para o porto de Nouadhibou através de ligações ferroviárias.
Por outro lado, a costa da Mauritânia é muito rica em peixe, sendo explorada conjuntamente pela Mauritânia e por países como o Iraque, a Coreia do Sul, a Roménia e pela União Europeia. Esta riqueza acaba também por ser benéfica para o setor industrial, nomeadamente para as indústrias conserveiras e de transformação, para as quais se destina muito do que é pescado. 50% das receitas das exportações provêm da pesca. Os principais parceiros comerciais da Mauritânia são a França, o Japão, a Espanha e a Itália.
Indicador ambiental: o valor das emissões de dióxido de carbono, per capita (toneladas métricas, 1999), é de1,2.

População
A população era, em 2006, de 3 177 388 habitantes, sendo a densidade de população de 3 habitantes km2. As taxas de natalidade e de mortalidade são, respetivamente, de 40,99%o e 12,16%o. A esperança média de vida é de 53,12 anos. O valor do Índice do Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,454 e o valor do Índice de Desenvolvimento ajustado ao Género (IDG) é de 0,445 (2001). Estima-se que, em 2025, a população seja de 5 292 000 habitantes.
Os principais grupos étnicos são os mouros (70%) e os negros (30%). Do total da população, 1/4 são nómadas. A religião islâmica sunita é seguida pela quase totalidade da população. A língua oficial é o árabe.

História
A Mauritânia foi primeiramente ocupada por negros e pelos berberes Sanhadja, que deram origem aos berberes Almorávidas entre o século XI e o século XII, sendo responsáveis pela islamização dos territórios vizinhos. No entanto, e através de rotas existentes entre a Mauritânia e Marrocos, os Árabes viriam a subjugar o poder dos Almorávidas no século XV, altura em que se registou também a chegada dos Portugueses à costa mauritana, onde edificaram o forte de Arguim em 1448. Mas seria a França a tornar-se a colonizadora da Mauritânia, processo que tem a sua origem no estabelecimento dos franceses em Saint-Louis, na foz do rio Senegal, culminando já em 1920, ano em que a Mauritânia passou para território da África Ocidental Francesa, sendo governado a partir de Saint-Louis, no Senegal. Em 1946 a Mauritânia tornou-se um território ultramarino, para, em 1957, após derrotar Marrocos numa pequena guerra no Norte do território, este país eleger um governo sob a liderança de Moktar Ould Daddah, que estabeleceu a capital em Nouakchott. A Mauritânia, que entretanto tinha solicitado a entrada na Comunidade Francófona em 1958, declarou total independência a 28 de novembro de 1960.
Até ser deposto por um golpe de Estado militar a 10 de julho de 1978, Moktar Ould Daddah orientou toda a sua política pelos parâmetros do excelente relacionamento com a França, assim como a participação ativa na Organização da África Unida em vez de uma aproximação com Marrocos, que, em 1969, reconheceu a independência da Mauritânia. No entanto, e devido à interferência da Mauritânia no conflito entre Marrocos e os guerrilheiros da Frente Polisário do Sara Ocidental, Ould Daddah foi deposto através de um golpe de Estado conduzido pelo coronel Mustapha Ould Salek. Moktar Ould Daddah foi substituído pelo tenente-coronel Mohamed Mahmoud Ould Louly, que viria a dar lugar ao tenente-coronel Mohamed Khouna Ould Haidalla como primeiro-ministro em 1980. Quatro anos mais tarde, o coronel Maaouya Ould Taya liderou um golpe de Estado pacífico, assumindo, quer o cargo de presidente, quer o cargo de primeiro-ministro, saindo vitorioso das primeiras eleições multipartidárias realizadas em 1992. Dois anos depois, a 20 de janeiro, apenas oito dias antes das eleições para o Governo local, o ministro do Interior anunciou a detenção de um grupo de falsificadores de cartões de eleitor, onde se encontravam membros do partido governamental PRDS (Partido Republicano Democrata e Social) e dos partidos da oposição. Ainda assim, o PRDS obteve uma vitória esmagadora, à qual se seguiu um sem-número de queixas por parte da oposição quanto à credibilidade do processo eleitoral. Nesse mesmo ano, enquanto decorriam negociações para a transferência de perto de 20 000 refugiados tuaregues para o Mali, o Governo da Mauritânia iniciava um processo de controlo mais apertado sobre as organizações islâmicas, chegando mesmo a prender 60 líderes de algumas dessas organizações, sob a acusação de criarem um clima de medo e de minarem a segurança do país. Esta ação teria o seu clímax quando, a 19 de outubro desse ano, o Governo ordenou a suspensão de todas as atividades por parte dos militantes de todas as organizações islâmicas da Mauritânia.
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