Max Beckmann

Pintor alemão nascido a 12 de fevereiro de 1884, em Leipzig, na Alemanha.
Entre 1900 e 1903, estudou na conservadora Academia de Belas Artes, em Weimar, produzindo inicialmente trabalhos impressionistas. Depois, efetuou uma viagem de estudo a Paris onde se familiarizou com obras de Cézanne e de Van Gogh e, regressando à Alemanha, estabeleceu-se em Berlim onde ganhou um prémio que lhe permitiu estudar em Florença. No início da sua carreira, foi muito influenciado pelos trabalhos dos pintores Edvard Munch, Brueghel e Matthias Grünewald. Não aderindo a nenhum dos dois grandes grupos expressionistas alemães, A Ponte (Die Brücke, criado em 1905) e Cavaleiro Azul (Der Blaue Reiter, fundado em 1911), o pintor personalizou o seu próprio estilo expressionista, centrando-se sobre figuras distorcidas.
Durante a Primeira Guerra Mundial, Beckmann ofereceu-se como voluntário para assistir médicos. Mas as experiências traumatizantes do hospital conduziram-no a um colapso psicológico, tendo sido então dispensado do serviço militar, em 1915. Os seus quadros tornaram-se, em resultado dessa experiência, fortemente dramáticos, distinguindo-se pelas linhas pesadas, pelas cores chocantes e pela fria e dura barbárie dos acontecimentos descritos. Depois da guerra, aderiu à Nova Objetividade (Neue Sachlichkeit) e, de acordo com o espírito do movimento, os seus quadros passaram a refletir a crítica social do pós-guerra alemão. De 1924 a 1933, foi professor na Academia de Arte Städel de Frankfurt e, nos anos 30, começou a demonstrar o seu descontentamento com o Partido Nacional Socialista (Partido Nazi), através de sete grandes trípticos, nos quais representou, com cores gritantes, alegorias, como Departure (Partida, 1932-1933). Pouco tempo antes de pintar Departure, Beckmann foi dispensado pelos Nazis dos seus serviços na Academia e, em 1937, após ter participado na exposição "Arte Degenerada", que, no entender dos nazis, continha obras que prejudicavam gravemente o sentimento moral do povo alemão, foi expulso do país, tendo permanecido exilado em Amesterdão e, a partir de 1947, nos Estados Unidos da América.
Entre 1947 e 1949, lecionou na Washington University, em St. Louis, no estado de Missouri e, depois mudou-se para Nova Iorque onde se tornou membro permanente do pessoal docente no Bronklyn Museum Art School.
Max Beckmann faleceu a 27 de dezembro de 1950, em Nova Iorque, vítima de uma crise cardíaca.
Realizou diversas exposições e dos seus inúmeros trabalhos destacam-se O Naufrágio do Titanic (1912), A Noite (1918-1919), Carnaval (1920), Autorretrato em Smoking (1927), Partida (1932-1933), Caravana de Circo (1940) e Os Argonautas (1949-1950). Sem aderir à pintura narrativa, a obra de Beckmann relata cada um dos seus dramas, expressa o absurdo da condição humana, a crise social e moral da Alemanha dos anos 20 e denuncia a monstruosidade do nazismo. Foi considerado um dos maiores pintores do século XX em pintura histórica, no entanto, o melodrama histórico, herdado do século XIX, foi suprimido pela brutalidade do real das suas pinturas.
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