Mazagão

Com uma fortaleza de construção magistral, que se iniciou em 1514 e foi terminada três anos depois, esta praça, localizada em Marrocos, perto de Azamor, deteve muito poderio pela sua inexpugnabilidade, tendo somente sido abandonada em 1769 por opção portuguesa perante o avanço inglês.
A reedificação desta fortaleza foi encomendada aos maiores arquitetos italianos e espanhóis, numa altura em que se transitava da guerra neurobalística para a pirobalística, ou seja, das armas de arremesso (como as catapultas, por exemplo) para as armas de fogo. Assim se justifica a inclinação das muralhas, que deste modo repelem impacto das armas de fogo, assim como o alargamento das ameias, para a colocação das colubrinas, canhões e demais dispositivos.
No ano de 1541 foram demolidas as estruturas defensivas existentes, que estavam em decadência e desatualizadas, sendo substituídas por outras em molde renascentista, segundo se pensa consoante o plano de Diogo de Torralva e possivelmente outros engenheiros de renome como João de Castilho. Inicialmente uma aldeia de pescadores e agricultores, foi conquistada pelos portugueses para servir de apoio a Azamor, passando em 1486 a fazer parte do protetorado português. Não tinha então quaisquer interesses militares estratégicos, económicos ou comerciais, logo não foram feitos grandes investimentos. Aliás, a maioria da população da zona era fiel a Portugal, logo não foi necessária a fortificação. Até 1514 viveu-se em Azamor uma letargia militar e económica, tendo contudo os problemas com os povoados marroquinos adjacentes começado cerca de 1502. Foi então que um régulo aliado que mantinha um acordo de boa vizinhança com Azamor, Celeme ben Damar, pediu a D. Manuel I que construísse um sistema muralhado. Contudo, só em 1513 foi efetivamente conquistada a praça de Mazagão por Jaime de Bragança e construído um castelo por Manuel e Francisco de Arruda.
Esta praça, com uma fortaleza defensável a partir de praticamente qualquer ponto, dependeu diretamente do capitão de Azamor até 1529.
Foi abandonada pelos portugueses em 1769, tendo-se transferido a sua população para o Pará, no Brasil (Nova Mazagão).
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