MDLP

Jorge Jardim, um ativista contrarrevolucionário refugiado em Espanha e na África do Sul, dois países onde passou longos períodos, foi a referência ativa da direita contestatária da Revolução do 25 de abril de 1974, a partir do país vizinho, até à constituição do ELP (Exército de Libertação de Portugal) e do MDLP (Movimento Democrático de Libertação de Portugal). No ano de 1975, as ações do ELP e do MDLP confundem-se, pois estes movimentos têm fontes, colaboradores e patrocinadores comuns. Contudo, os seus objetivos são distintos: o ELP é mais militar do que político, afastando-se do general Spínola, que considera ser um traidor.
O MDLP, a 17 de fevereiro de 1975, ensaiou um golpe de Estado, um "golpe palaciano", para derrubar os revolucionários, em colaboração com a guarda do Palácio de Belém, mas esta ação falhou, mantendo-se, contudo, a vontade de voltar a repetir a experiência.
Em abril desse ano, as autoridades espanholas e os serviços de informação concebem uma organização político-militar para apoiar a adoção de um sistema democrático pluralista em Portugal afastado das atividades terroristas do ELP. Esta nova organização deveria abarcar todos os quadrantes da direita, dos democratas aos radicais. O futuro MDLP esteve representado nestas e noutras reuniões deste tipo. A 5 de maio de 1975 era oficialmente constituído o MDLP, uma força política presidida por António Spínola, e assistida por uma organização de cúpula dividida em grandes setores que nunca chegou a funcionar. Dias Lima deveria assegurar o Estado-Maior, Santos e Castro o Ultramar, Alpoim Calvão o Operativo e a Política ficaria para José Miguel Júdice, Vale de Figueiredo e Pacheco Amorim.
No início do mês de julho, na cidade de Lisboa, a partir do elevador de Santa Justa, foram lançadas as primeiras tarjetas com a sigla do MDLP e no dia 20 desse mês ocorreu uma nova onda de assaltos a sedes de forças de esquerda como o PCP e o MDP/CDE, atentados reivindicados pelo autointitulado "Movimento da Maria da Fonte", que operava a partir do Norte do país, e era apoiado pela Igreja Católica com ligações ao MDLP.
Também ligada ao MDLP estava a edição do primeiro exemplar do Viriato - Jornal Clandestino de Portugueses e só para Portugueses, que publicou apenas três números, o último dos quais datado de setembro de 1975, da responsabilidade de Jorge Jardim e do coronel Costa Campos.
Em setembro, com a notícia do regresso do exílio na Suíça de António de Spínola, a Imprensa portuguesa refere que no Norte do país o ELP e o MDLP preparavam um golpe de direita.
No dia 4 de outubro do mês seguinte foram detidos num Seminário de Braga o primeiro-tenente Benjamim de Abreu e o major Mira Godinho, ambos implicados no 11 de março. Na altura da detenção participavam numa reunião da direção do MDLP, presidida por Alpoim Calvão.
A 2 de janeiro do ano seguinte surge uma nova vaga de atentados bombistas atribuídos à extrema direita (MDLP e ELP), que durante alguns meses atacaram sedes esquerdistas. Em agosto, a Polícia Judiciária e a Polícia Judiciária Militar prendem suspeitos da rede bombista. Ainda nesse mês, o MDLP reorganiza-se, e em fins de janeiro de 1976, militares do ELP e do MDLP, fugidos do país aquando do 11 de março, começam a regressar.
Em abril, ocorre um novo atentado à bomba atribuído ao MDLP, que faz explodir o carro onde seguia um candidato de esquerda a deputado pelo círculo de Vila Real, o padre Maximino de Sousa (mais conhecido como padre Max) e uma estudante de nome Maria de Lurdes Pereira.
O ataque à Embaixada de Cuba foi, ainda nesse mês, reclamado pelo Movimento Anticomunista Português, que mantinha ligações com o MDLP.
A 29 de abril de 1976, Spínola suspendeu as atividades do MDLP, o que efetivamente veio a acontecer após as negociações mantidas com o general Ramalho Eanes para discutir a amnistia das atividades antirrevolucionárias. Contudo, o ELP continuou a atuar em 1976 e o financiamento internacional só acabou depois de serem estabelecidos contactos entre Almeida de Araújo e os militares mais próximos de Ramalho Eanes, o futuro presidente da República.
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