medida nova

Variedade métrica que consiste em versos decassilábicos heroicos (acentuados nas 6.ª e 10.ª sílabas). Própria da escola clássica introduzida em Portugal por Sá de Miranda (que lidou em Itália com a obra do seu criador italiano - Petrarca), este metro permite hipóteses de expressão mais variadas, na medida em que, "sendo mais longo e admitindo uma maior variedade de acentos facultativos e de pausas", torna-se mais flexível, dando maior liberdade criativa ao poeta. Por outro lado, e conforme Jacinto Prado Coelho, in Dicionário de Literatura, "adapta-se a uma poesia mais individualizada, a uma maior variedade de tom e de tema".

Foi utilizado em novos subgéneros de origem greco-latina ou italiana: a écloga, a elegia, a ode, a epístola, o epitalâmio, o epigrama, o soneto, a canção e a sextina. Para além destes subgéneros líricos, a medida nova foi também utilizada na epopeia Os Lusíadas e na tragédia.

A medida nova pressupõe um novo conceito de poesia, segundo o qual o poeta, pretendendo diferenciar-se do "trovador", não se assume como um mero artífice do verso. Quer ser muito mais que isso. Vendo a poesia como um "ser" que tem uma função doutrinária e edificante, o poeta humanista considera-se detentor de uma vocação e de um destino capaz de revelar "o mundo íntimo do amor" e de determinar o "caminho glorioso" dos homens grandes do mundo.

Manifestando-se já na lírica peninsular na primeira metade do século XV, o petrarquismo, enquanto forma nova de expressar o amor, surge recorrentemente nos cancioneiros castelhanos do século XV e nos poetas do Cancioneiro Geral. Contudo, e embora se conheçam os sonetos muito anteriores do marquês de Santillana escritos "al itálico modo" e a obra de Francisco Imperial em metros do novo estilo, o petrarquismo só criou verdadeiras raízes na península, no século XVI, com Juan Boscán e Garcilaso de la Veja.
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