Memórias Biográficas

Estas colossais Memórias, projeto em que o autor, Gomes de Amorim, afirma ter trabalhado durante trinta anos, constituem talvez o exemplar mais interessante do registo memorialista no Romantismo português. Trata-se de uma biografia de Almeida Garrett, constantemente perpassada pelas memórias do país, pois, como afirma Gomes de Amorim, citando o próprio autor do Camões, "a vida dos homens públicos é parte da história do seu país", e eivada da carga subjetiva de quem se confessa "filho literário da adoção generosa (de Garrett(" e prepara o "leitor indulgente" para o facto de ir "encontrar muitos outros fragmentos das (suas( próprias memórias misturados com as memórias de tão grande homem". A "Introdução" ao primeiro volume constitui, aliás, um fragmento autobiográfico, em que Gomes de Amorim conta como descobriu o poema Camões, decidiu escrever ao seu ídolo, regressou sob orientação dele a Portugal e se tornou amigo do poeta.O primeiro volume das Memórias Biográficas conquistou o galardão, instituído pelo rei D. Fernando, destinado a premiar "a melhor composição literária acerca da vida e escritos do grande escritor". De facto, a iniciativa de Gomes de Amorim, que reitera, no epílogo da obra, o seu propósito de pagar a dívida da nação para com Garrett, vai de encontro ao forte desejo nacional de consagração do autor das Viagens que se faz sentir nos anos oitenta. Nesta medida, são significativos os destinatários intratextuais dos três volumes: o primeiro é dedicado a D. Fernando, o segundo a D. Luís, o terceiro, "à minha pátria, aos que eu amo e aos que me amam".
Como referenciar: Memórias Biográficas in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-08-23 11:52:55]. Disponível na Internet: