meritocracia

O elemento fundador da meritocracia é o mérito, enquanto aptidão e valor moral e intelectual, que deve governar as relações sociais que se instituem numa sociedade, ou seja, o cerne da definição de meritocracia reside na distribuição ou repartição dos postos, lugares ou oportunidades sociais em função de uma mistura de dons e méritos: a cada um de acordo com o seu mérito (Boudon et alii, 1990).
Assim, Durkheim fez o elogio da meritocracia, afirmando a importância de distribuir os homens pelos lugares sociais em função dos seus dons e das suas vocações (Carvalho Ferreira et alii, 1995), como forma de evitar a dissolução anómica das sociedades, pois a sua aplicação conduziria a uma maior rendibilização de capacidades e vocações, logo, a uma maior satisfação. São basicamente as aptidões e os méritos individuais (esforços, persistência, trabalho, investimento) que determinarão as posições sociais que cada um assumirá, numa lógica de competição igual para todos. Contudo, a meritocracia não é igualitária, pois conduz a resultados desarmónicos, embora baseados em oportunidades iguais (Boudon, 1985).
De salientar que todas as sociedades comportam formas de meritocracia, operando seleções sociais, conduzidas por instituições que têm a função mais ou menos explícita de reconhecer e validar os méritos e as aptidões de cada um, como é o caso da instituição escolar (Boudon et alii, 1990).
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