Michabo

Pertencente à mitologia dos povos índios Alongquinos da América do Norte, esta divindade foi a que criou o Universo e o povoou de criaturas, entre as quais o primeiro veado (animal extremamente importante para estes povos).
Michabo criou uma ilha a partir de um grão de areia do oceano. Esta ilha cresceu, ficando tão grande que uma cria de lobo morreu de velhice antes de a conseguir cruzar. E assim surgiu a terra.
Entre as invenções de Michabo estão a escrita pictórica, a rede de pesca (que resultou da observação de uma teia de aranha) e os talismãs usados pelos caçadores. É também o senhor dos ventos, dos relâmpagos e do trovão.
Baniu os manitus, que comiam homens, e proporcionou aos homens redes para que os animais aquáticos lhes servissem de alimento.
O seu nome significa grande lebre, e à semelhança de Hélio (deus do Sol da mitologia grega) morava no local do grande rio oceano que circundava a terra onde o Sol nascia. No entanto, houve tribos que acreditavam que o deus morava num iceberg no oceano Ártico, dizendo outras que vivia numa espécie de ilha-paraíso no lago Superior, onde os alimentos eram frutos de sabor delicioso e para onde iam as almas dos homens retos, que uma vez aqui entrados tinham a faculdade de se transformarem em qualquer animal que quisessem.
A verdade é que o significado do nome nada tem a ver com a identificação do deus. Em alongquino o nome inicia-se com a sílaba wab, que significa, além de lebre, branco (conduzindo às palavras dia, amanhecer e Este, ponto cardeal atribuído ao deus).
Estava casado com Muskrat, que o ajudou a criar o Universo e a ensinar aos homens ofícios diversos. O obscuro vento oeste, Kabun, era pai de Michabo, estando os dois em permanente conflito.
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