Michel Leiris

Antropólogo e escritor francês, nascido em 1901 e falecido em 1990, entrou para o movimento surrealista em 1924, que abandonou em 1929. Frequentou os cursos de Marcel Mauss em Paris e participou na Missão Dakar-Djibouti entre 1931-1933, dirigida por Marcel Griaule. A partir de 1934 fica responsável pelo Departamento de África do Museu de Etnografia de Trocadero, Paris, mais tarde Museu do Homem. A partir de 1930 a sua obra literária é eminentemente autobiográfica e funde-se com a investigação antropológica: as duas atividades são "uma única pesquisa de ordem humanista".
No ensaio De la litérature considérée comme une tauromachie, a escrita é assimilada a uma cerimónia; a "pesquisa prática" de uma verdade interior que tem as suas regras e riscos. Tal como a obra literária, a obra antropológica de Leiris caracteriza-se pela procura de novas linguagens e por uma reflexão acerca do papel do antropólogo em situação colonial. Em Afrique fantôme, publicada em 1934, questiona a validade, moral e intelectual, do trabalho de campo em antropologia que transforma outros sujeitos em objeto de conhecimento. Cinco anos mais tarde, em L'ethnographe devant le colonialisme, reivindica para o antropólogo o papel do advogado das populações que estuda. Publica em 1967, com Jacqueline Delange, um importante estudo do estatuto estético da arte africana, Afrique noire: La création plastique.
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