Miguel Ángel Asturias

Poeta, romancista e diplomata guatemalteco, Miguel Ángel Asturias nasceu a 19 de outubro de 1899, na cidade da Guatemala. Acompanhou os pais na sua mudança para a cidade de Salamá, empreendida por causa de perseguições políticas movidas pelo regime ditatorial.
Estudou em escolas estatais e, concluindo os seus estudos secundários, ingressou no curso de Medicina, que trocou em 1917 pelo de Direito, a decorrer na Universidade de San Carlos de Guatemala. Ainda estudante, tomou parte ativa numa insurreição contra Estrada Cabrera, o ditador guatemalteco que havia complicado a vida à família Asturias.
Formou-se em 1923 com a tese Sociología Guatemalteca e partiu para a Europa com o intuito de prosseguir os seus estudos. Matriculando-se na Sorbonne, concluiu o curso de Antropologia em 1928. Descobrindo as traduções francesas dos manuscritos maias, desenvolveu um interesse particular por aquela cultura, que o levou à tradução para o castelhano do livro sagrado Popol Vuh. Asturias começou depois a colaborar como correspondente em vários órgãos da imprensa sul-americana, em cuja qualidade pôde conhecer todos os países da Europa, o Médio Oriente e o Egito. Em 1928 regressou à Guatemala, onde não só co-fundou a Universidade Popular, destinada a formar estudantes mais desfavorecidos, como aí lecionou.
De novo em Paris, publicou Leyendas de Guatemala (1930), obra baseada num mito maia e escrita num estilo poético, e que garantiu uma certa reputação, sobretudo após ter sido galardoada com o prémio literário Silla Monsegur.
Em 1933 regressou à Guatemala, onde trabalhou como jornalista até 1942, altura em que passou a fazer parte do Corpo Diplomático. A partir de 1945 ocupou o cargo de adido cultural, primeiro no México e depois na Argentina, Paris e San Salvador. Foi forçado a interromper a carreira diplomática na década de 50, devido a divergências políticas que o levaram ao exílio mas, em 1966, foi reabilitado por um novo governo que o nomeou embaixador de França.
Entre outras obras publicou El Señor Presidente (1946), romance que recria as perseguições do ditador Estrada Cabrera à sua família, Hombres De Maíz (1949), romance tido como a sua melhor obra, e que descreve a rebelião de um grupo de índios que, tentando defender a sacralidade de uma montanha, é dizimado pelo exército. Escreveu também a chamada "Trilogia da Banana", composta pelos volumes Viento Fuerte (1950), El Papa Verde (1954) e Los Ojos De Los Enterrados (1960), e que relatava os dissabores dos trabalhadores de uma plantação.
Galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 1967, Miguel Ángel Asturias faleceu em Madrid a 9 de junho de 1974.
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