Mikael Agricola

Escritor, bispo e reformador finlandês, Mikael Agricola nasceu cerca de 1510 na aldeia de Torsby, na paróquia de Pernaja, na província de Uusimaa. A propriedade agrária da família era ampla ao ponto de poder albergar as sessões do tribunal provincial.
Tendo chamado a atenção do cura paroquial pelo seu talento excecional, Mikael Agricola foi enviado à escola por volta de 1520. Segundo as crónicas bispais de Paavali Juusten, teria aprendido os rudimentos da escrita em Viipuri, sob a estrita dedicação do mestre Johannes Erasmi, que o introduziu ao espírito da Reforma e do Humanismo. Teria também, durante estes dias de aprendizagem, recebido o ápodo de 'Agricola'.
Quando a Reforma se começou a estabelecer no território finlandês, Erasmi foi chamado a Turku, em 1528, para ocupar o cargo de chanceler do bispo Martin Skytte. Levou consigo o seu dotado aluno, que nomeou secretário do bispo e, no ano seguinte, com a morte de Johannes Erasmi, Mikael Agricola tornar-se-ia, por seu turno, chanceler do referido bispo que, sendo católico, não se opunha à Reforma. No ano de 1529 foi ordenado padre, pelo que começou diligentemente a pregar sermões, tanto na catedral de Turku, como em visitas episcopais. Em 1531, usou uma cópia do livro latino de homilias de Martinho Lutero como auxiliar na preparação dos seus sermões. Havia também anotado e comentado o texto original do Novo Testamento, que tinha sido publicado por Lutero em 1516.
Durante o decénio de 1520, os finlandeses foram interditos de viajar para o estrangeiro, como prevenção do alastramento da nova heresia luterana tanto temida pelas autoridades eclesiásticas de Turku. Contudo, na década seguinte, a situação alterou-se radicalmente, possibilitando a todos os estudantes a deslocação a Wittenberg, universidade alemã onde a Reforma havia nascido. Agricola chegou lá no outono de 1536, e teve oportunidade de estudar sob a alçada de Lutero e Melanchton, que lhe escreveram cartas de recomendação para o rei Gustavus Vasa.
Trabalhando avidamente com um grupo de compatriotas, Agricola dedicou-se à tradução do Novo Testamento para a língua finlandesa. Pedindo entretanto um subsídio ao monarca, viu-o recusado, sem perder contudo o entusiasmo.
Mikael Agricola obteria a sua licenciatura em fevereiro de 1539, pelo que regressou, via Estocolmo, a Turku no verão seguinte, onde foi nomeado cânone do capítulo da catedral, exercendo as funções de secretário. Foi também nomeado reitor da escola catedrática de Turku, a mais importante instituição de ensino na diocese.
Terminando a sua tradução do Novo Testamento, publicou também um livro de orações, recomendado para o uso diário de todos os finlandeses. Algum tempo após o incêndio que devastou Turku, e face à difícil situação que a igreja vivia nesses dias, pela apropriação dos bens eclesiásticos pela coroa, Agricola viu-se forçado a apresentar a sua demissão, a 22 de fevereiro de 1548, sendo sucedido pelo seu cronista Juusten.
Continuando a tradução de obras necessárias à eucaristia e ofícios eclesiásticos, publicou, em 1549, um Saltério e, entre 1551 e 1552, uma seleta, com o nome Livros dos Profetas do Antigo Testamento. Traduziu também a Lei Marítima de Visby do baixo alemão para o sueco, e recolheu uma antologia de provérbios.
Foi nomeado depois conselheiro do bispo e, quatro anos após a morte deste, ocorrida em 1550, Mikael Agricola seria finalmente consagrado bispo da diocese de Turku.
Em março de 1555 rebentou uma guerra entre a Rússia e a Suécia, sob cuja coroa a Finlândia era regida. Tendo sido nomeado um dos emissários da paz pelo rei Gustavus Vasa, Agricola chegou a Moscovo em fevereiro de 1557, onde a paz foi conseguida pelo mês de março. Na viagem de regresso, e logo depois de atravessar a fronteira, uma doença repentina sobreveio a Mikael Agricola, pelo que, a 9 de abril de 1557, veio a falecer, na aldeia de Kyrönniemi, na paróquia de Uusikirkko. Foi a enterrar em Viipuri pouco depois, na presença do arcebispo.
É tido como um dos propulsores da língua finlandesa escrita, tendo sido o autor do primeiro livro impresso no idioma, uma cartilha de nome ABCkiria (1542).
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