Mindelo

Cidade de Cabo Verde e sede da ilha de São Vicente, Mindelo é, com 47 mil habitantes, a segunda maior cidade do arquipélago, a seguir à capital, Praia.
Mindelo, com 67 km2, fica situada na Baía do Porto, na parte noroeste da ilha de São Vicente. A cidade está inserida no concelho de São Vicente e na freguesia de Nossa Senhora da Luz.
Atualmente, o Mindelo tem a forma de meia-lua rodeando a Baía do Porto Grande. O centro colonial e uma cintura envolvente estão relativamente ordenados, com zonas residenciais ricas e de classe media, onde vivem nomeadamente emigrantes regressados, funcionários públicos e famílias jovens de classe média. Numa cintura mais larga, o ordenamento é algo caótico e há mais miséria.
No Mindelo, fica situado o Porto Grande, um porto de águas profundas que pode albergar navios transatlânticos e que, por estar situado em pleno oceano Atlântico, serve de escala, desde há séculos, a embarcações de todo o mundo. Isto ajudou a que o Mindelo se tornasse uma cidade muito cosmopolita, já que recebeu marinheiro de vários pontos do globo.
O Mindelo é considerado a capital cultura de Cabo Verde e lá realizam-se atividades como o Festival de Música da Baía das Gatas, um evento anual de relevo internacional. Em 2003, Mindelo foi a Capital Lusófona da Cultura.
As origens do Mindelo remontam ao século XIX, quando Cabo Verde era uma colónia de Portugal. Em 1819 chegaram à zona de Porto Grande 56 famílias provenientes da ilha de Santo Antão, passando a povoação a chamar-se Leopoldina, em homenagem à esposa de D. Pedro IV. No entanto, a situação de seca extrema levou a que poucas pessoas restassem no lugar. O governador Joaquim Pereira Marinho defendeu a ideia de criar no local a nova capital de Cabo Verde e tal projeto é aprovado em 1838, embora não se chegue a concretizar. Nesse mesmo ano, uma companhia inglesa estabeleceu na ilha um depósito de carvão para abastecer os transatlânticos e, na altura, Porto Grande passou a chamar-se Mindelo.
Em 1858, quando contava já com 1400 habitantes, Mindelo é elevado a vila, para 21 anos mais tarde, com 3300 moradores, ascender finalmente a cidade.
1889 foi o ano de maior movimento do porto, por onde passaram 1927 navios mercantis de longo curso. Mas, a partir daí, Porto Grande começou a entrar em decadência, incapaz de concorrer com Las Palmas ou Dacar. Dois anos depois, em 1891, devido ao desemprego, a fome começou a assolar a cidade. Logo no início do século XX, com a substituição do carvão pelo gasóleo como combustível dos navios, a situação agravou-se, tendo sido necessário recorrer ao auxílio do exterior. Ao desemprego juntava-se uma longa situação de seca no arquipélago.
A 7 de junho de 1934, sem que a crise passasse, a população saiu à rua e saqueou lojas e armazéns. Milhares de pessoas viriam a morrer de fome na década de 40, numa época em que a emigração cresceu de forma desmesurada, nomeadamente rumo a São Tomé e Príncipe. Paralelamente, devido à fama de prosperidade que havia alcançado no passado, o Mindelo continuava a ser procurado por muita gente das outras ilhas, que buscavam também uma vida melhor.
Só a partir de 1968 é que a situação melhorou, graças a um maior auxílio da metrópole portuguesa e às remessas dos emigrantes na Europa e nos Estados Unidos da América.
Após a obtenção da independência em 1975, Mindelo ganhou maior protagonismo e voltou a expandir-se, já que pelo porto passavam as principais importações e exportações de Cabo Verde. O Mindelo continuou a receber muita gente, principalmente oriunda das ilhas de Santo Antão e São Nicolau, que por norma se instalavam nas colinas sobranceiras à cidade. Dessa forma, a população já havia ultrapassado os 60 mil habitantes na viragem do milénio.
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