modelo (sociologia)

Ao nível das práticas sociais, o modelo constitui aquilo que um ator individual ou coletivo segue, respeita, imita. Funciona como um modelo de comportamento, dotado de uma determinada significação social. Um líder
político pode funcionar como modelo para o militante, ou um professor para o aluno, mas também pode tratar-se de um tipo de comportamento a seguir, de uma organização social que seja considerada um modelo a imitar, um sistema jurídico ou uma economia (liberal, socialista), etc.
Uma segunda aceção refere-se à construção sociológica de modelos descritivos ou explicativos da realidade social. Há uma grande variedade de modelos que são utilizados na Sociologia, muitos dos quais construídos a fim de reproduzirem ou explicarem o funcionamento de um sistema, de um grupo, ou as interações entre atores, ou entre os atores e os seus papéis. Esta construção de modelos, que, em alguns casos, será uma formalização matemática, é sobretudo utilizada no que respeita à modelização de práticas sociais regulares, repetitivas e constantes (modelos de parentesco, tipos de ensino, modelos de aprendizagem, modelos de difusão das opiniões, etc.). Os dados empíricos são reorganizados (a maioria das vezes a partir de hipóteses de trabalho), podendo os modelos construídos servir para orientar uma intervenção social.
Para Max Weber, o tipo ideal (como o feudalismo, o capitalismo, o protestantismo, a sociedade industrial, a sociedade tradicional) é um modelo construído, que não refere senão aspetos julgados fundamentais do fenómeno a que se refere. Os modelos, na aceção de tipo ideal, são conceitos ou construções intelectuais, que remetem para os traços mais pertinentes do objeto ou da realidade que representam, constituindo uma representação ideal: "As construções típico-ideais da ação social, como as preferidas pela teoria económica, são estranhas à realidade" (Weber). Nesta medida, o modelo abstrato no sentido lógico do tipo-ideal, serve como meio de conhecimento.
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