modo

O modo é uma categoria gramatical associada ao verbo que se exprime através de sufixos de flexão. Por exemplo, na forma verbal <cantassem>, -sse- é o sufixo de flexão que dá a informação de modo conjuntivo e de tempo pretérito imperfeito.
O modo é um dispositivo linguístico privilegiado para exprimir a modalidade (em sentido lato, a modalidade é a atitude do falante perante a validade do conteúdo proposicional do seu enunciado e define-se basicamente em duas possibilidades: realidade e irrealidade).
Em português, há três modos verbais consensualmente aceites por linguistas e por gramáticos: o indicativo, o conjuntivo e o imperativo.
O modo indicativo é o modo da realidade, apresenta a ação verbal como um facto, no plano da certeza e da verdade. O modo indicativo é o modo das frases principais, da maior parte das frases coordenadas e da oração principal nas frases complexas.

O modo conjuntivo é o modo semanticamente oposto ao indicativo. É o modo da irrealidade, do não realizado, da incerteza, da possibilidade, da dúvida, da suposição, da condição, do desejo. Em virtude de ocorrer quase sempre em orações subordinadas, há por vezes a dúvida de o conjuntivo ser um modo semanticamente vazio, cujo significado decorre do tipo de verbo ou construção que o pede. Porém, o confronto de frases como i e ii, iii e iv mostram que o uso do conjuntivo é distintivo de significado em relação ao uso do indicativo:

i) Eu acredito que ele vem. (indicativo)
ii) Eu acredito que ele venha. (conjuntivo)

iii) Vou a um supermercado que fica perto de casa. (indicativo)
iv) Vou a um supermercado que fique perto de casa. (conjuntivo)

O imperativo especializou-se na expressão do ato de fala diretivo, ou seja, da ordem, incluindo toda uma escala que passa pelo pedido, pela sugestão, pelo convite, pelo conselho, etc. O imperativo supõe um alocutário a quem se destina o conteúdo que veicula e projeta-se pelo futuro. Este modo é lacunar quanto à sua expressão pessoal (só possui 2.ª pessoa - tu e vós), sendo substituído pelo presente do conjuntivo para as restantes pessoas verbais (<diga>, <digamos>, <digam>) e para as frases negativas (ex: <não digas>).

Quanto ao estatuto do condicional, a gramática tradicional tem-no considerado um modo verbal autónomo, embora C. Cunha e L. Cintra (1984, Nova Gramática do Português Contemporâneo) o insiram no indicativo remetendo-o à condição de tempo com a designação de "Futuro do Pretérito". Outros autores, como M. Vilela (1999, Gramática da Língua Portuguesa) devolvem o estatuto de modo ao condicional, que funciona como expressão do "irreal no passado", de "um pedido", da "suavização de uma informação" ou de "um desejo". Da mesma forma, Fátima Oliveira (2003), in Gramática da Língua Portuguesa, defende que o condicional, como de resto o futuro do indicativo, podem funcionar como modos em muitos contextos, não obstante haja situações em que apenas funcionem como tempos. O modo não se pode confundir com o tempo e a sua especificidade consiste em não marcar uma localização relativa a um dado momento. Neste sentido é que se pode atribuir valor modal e não temporal ao futuro e condicional, respetivamente nas frases v e vi:

v) A esta hora o avião já terá descolado. (valor modal de suposição)
vi) Em condições atuais, não sei se teria comprado aquela casa.

Apesar de algumas gramáticas tradicionais considerarem o infinitivo como um modo, estudos recentes em semântica excluem essa possibilidade, defendendo que o infinitivo na sua forma impessoal é uma forma nominal do verbo, enquanto que o infinitivo pessoal e flexionado é a forma não marcada do verbo.
Como referenciar: modo in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-12-10 13:42:00]. Disponível na Internet: