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Montgomery Clift
Ator norte-americano nascido em 17 de outubro de 1920, em Omaha, no Nebraska, e falecido em 23 de julho de 1966, em Nova Iorque, vítima de insuficiência cardíaca. Foi considerado um dos atores mais talentosos do Mundo e um dos grandes defensores do célebre Método que revolucionou por completo a Interpretação Dramática do século XX. Foi também um ator inconformado e que resultou submeter-se ao «star-system» de Hollywood. Aos 15 anos, marcava já presença na Broadway com um papel secundário na peça Fly Away Home (1935). Gradualmente, tornou-se um dos atores mais promissores do teatro norte-americano, tendo protagonizado peças de Eugene O'Neill e de Tennessee Williams. Inicialmente relutante em aceitar papéis cinematográficos, não resistiu ao apelo do realizador Howard Hawks que o convidou a desempenhar o papel de um rebelde filho adotivo de um poderoso rancheiro (John Wayne) em Red River (Rio Vermelho, 1948). Este western tornou-se um clássico e a prestação dramática de Clift foi elogiada um pouco por todo o Mundo. O seu segundo trabalho no cinema valeu-lhe uma nomeação para o Óscar de Melhor Ator: em The Search (Anjos Marcados, 1948), desempenhou magistralmente um soldado norte-americano que acolhe uma criança judaica que resgatara de um campo de concentração. Avesso a contratos de longa duração, não resistiu às cláusulas milionárias que a Paramount lhe propôs para filmar três títulos. Contudo, para estes estúdios, filmaria apenas The Heiress (A Herdeira, 1949). Clift detestava Hollywood e em cartas que escrevia para amigos declarava que « estava a trabalhar na Cidade do Vómito, no Estado da Califórnia». Contudo, continuou a ser requisitado para trabalhos em grandes produções. Numa delas, o melodrama A Place in the Sun (Um Lugar ao Sol, 1951), maravilhou os seus fãs com uma enérgica performance de jovem humilde que utiliza o casamento como meio de ascensão social, numa prestação que valeu a Clift a sua segunda nomeação para o Óscar de Melhor Ator. Durante as rodagens, contraiu uma grande amizade com Elizabeth Taylor que se tornaria sua confidente. O maior sucesso da carreira de Clift veio a ser From Here to Eternity (Até à Eternidade, 1953) que lhe valeu nova nomeação para Óscar. Era o auge da fama de Clift. Em 1954, decidiu dedicar-se a tempo inteiro ao teatro da Broadway, tendo recusado o papel que iria ser desempenhado por Marlon Brando em On the Waterfront (Há Lodo no Cais, 1954). Paralelamente, começaram a surgir rumores sobre a homossexualidade do ator. Em 1957, a tragédia bateu-lhe à porta: um grave acidente de viação deixou-lhe lesões perpétuas na face obrigando-o a fazer cirurgias plásticas sucessivas. As oportunidades de emprego como galã cinematográfico ficaram assim irremediavelmente afetadas, algo que Clift conseguiu superar com o seu enorme talento. Assim, 10 meses após o acidente, co-protagonizou ao lado de Marlon Brando o drama de guerra The Young Lions (O Baile dos Malditos, 1958) e demonstrou a todos que o seu talento continuava intacto. Voltou a contracenar com Elizabeth Taylor em Suddenly, Last Summer (Bruscamente no Verão Passado, 1959) e foi dirigido por Elia Kazan em Wild River (Quando o Rio Se Enfurece, 1960). Foi também um dos protagonistas do acidentado The Misfits (Os Inadaptados, 1961) de John Huston. Durante as rodagens, foram constantes as divergências que manteve com Marilyn Monroe, de quem confidenciaria a amigos não passar de mais uma atriz frívola e desprovida de talento engrandecida pelo glamour de Hollywood. Em 1961, assinou uma das melhores interpretações da sua carreira pelo seu trabalho em Judgement at Nuremberg (Julgamento em Nuremberga, 1961), tendo sido nomeado para o Óscar de Melhor Ator Secundário. Curiosamente, o seu trabalho neste filme não foi remunerado e cingiu-se a uma cena de sete minutos onde recriou Rudolf Petersen, uma vítima das atrocidades nazis num campo de concentração. Durante a rodagem da sua cena, Clift recusou ler o guião e recorreu à sua capacidade de improvisação que resultou da melhor forma, muito devido ao espírito de colaboração de Spencer Tracy que com ele contracenava nessa cena. Infelizmente, Clift estava enredado num rumo de auto-destruição, estando dependente do álcool e das drogas. Foi o protagonista de Freud (Freud- Além da Alma, 1962) mas optou por fazer uma cirurgia às cataratas, facto que motivou atrasos sucessivos nas rodagens e quando o filme foi lançado revelou-se um extraordinário flop comercial. A recusa da Universal (produtora do filme) em pagar o salário ao ator fez com que este colocasse um processo à Universal nos tribunais, facto que contribuiu para manchar a imagem e reputação do ator. Só voltou a filmar quatro anos depois, num filme que passou despercebido: The Defector (1966) que seria também o seu derradeiro. Os grandes estúdios de Hollywood fecharam-lhe as portas e foi por enorme pressão de Elizabeth Taylor que os produtores resolveram dar a Clift um papel secundário ao lado de Taylor e de Brando em Reflections on a Golden Eye (Reflexos Nuns Olhos Dourados, 1967). Na véspera das rodagens, quando regressava dum jantar em casa de Taylor e de Richard Burton, não resistiu a um enfarte.
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