Morris West

Escritor australiano de renome mundial, nascido em 1916 e falecido em 1999, é o mais velho de seis irmãos e pai de seis filhos. Morris West herda da mãe irlandesa a propensão para contar histórias e do pai caixeiro-viajante o amor pelo dia.
Educado desde cedo pela religião católica, frequentou, desde os 14 até aos 25 anos, uma ordem religiosa - Christian Brothers -, pondo-se assim em contacto com todo o espírito religioso que reinava nessa instituição eclesiástica.
Prosseguindo os seus estudos no ensino oficial, licencia-se pela Universidade de Melbourne em 1937, exercendo depois a profissão de Professor em New South Wales e na Tasmânia. Seguem-se cargos de escriturário, radialista e jornalista, que Morris West sempre desempenhou com paixão e que sempre lhe conferiram sucesso no respetivo desempenho. Na década de 40, enquanto exercia funções de radialista na Rádio de Melbourne - cargo que abandonou dois anos depois para ir ocupar o de Diretor de produção da Rádio Australiana -, Morris West publica a sua primeira obra: Moon in my Pocket (1945), com o pseudónimo de Julian Morris. Em 1955 abandona a Austrália para prosseguir na sua carreira de escritor, indo então viver para diversos sítios, passando pela Áustria, Itália, Inglaterra e Estados Unidos da América.
Depois de publicada a sua primeira obra, Morris West sente-se incentivado a publicar outras, seguindo-se mais vinte e oito outras obras, de entre as quais se destaca: Gallows on the Sand (1956), The Big Story (1957), The Devil's Advocate (1959), Daughter of Silence (1961), The Embassador (1965), Harlequin (1974), The World is Made of Glass (1983), The Lovers (1993) e Emminence (1998).
Para além de novelista, Morris West destacou-se ainda pelas obras dramáticas - publicando cinco no total -, pelas obras de não ficção, onde se pode encontrar um texto plenamente autobiográfico, e por diversos guiões de adaptação de obras suas ao cinema, de onde se destacam principalmente as adaptações de The Devil's Advocate (adaptado a cinema em 1978), The Second Victory (adaptado em 1986) e Cassidy (adaptado em 1989).
As suas novelas venderam, no total, mais de 70 milhões de cópias por todo o mundo, estando traduzidos em múltiplas línguas, fazendo de Morris West um nome internacionalmente reconhecido.
Alcançando o seu maior êxito com a publicação, em 1959, de The Devil's Advocate, a vida de Morris West torna-se então no sonho de qualquer escritor: adaptações a filmes de Hollywood, contratos milionários, vastíssimas audiências, etc.
De conteúdos por vezes bastante controversos, as suas obras demonstravam terríveis batalhas psicológicas com a religião e a igreja católica: apesar do seu grande amor à religião, sempre se confrontou com a igreja católica, divergindo constantemente em questões relacionada com os tópicos da consciência e da caridade. De facto, estes eram, sem dúvida, os pontos mais focados por e sobre o autor: apontado como possuidor de uma verdadeira e abundante caridade e sentido de ajuda, Morris West sempre se debateu com estes sentimentos quando tratados pela igreja católica.
Para além destas temáticas de combate com a igreja, fortemente visíveis nas suas obras, Morris West escrevia sobre o que pensava que devia escrever, como costumava dizer: "parto do princípio que se uma coisa me interessa de tal forma que me leve a escrever sobre ela, então deverá também interessar a muitas outras pessoas". Este era, sem dúvida, o lema literário de deste autor, considerado pela maioria como o maior escritor australiano da atualidade.
A 9 de dezembro de 1999, Morris West morreu na sua secretária enquanto escrevia algumas páginas mais daquela que seria a sua última novela - The Last Confession. Esta era a novela que escrevia com bastante entusiasmo e era já ansiosamente aguardada pelos seus editores, prevendo-se já o seu grande êxito. Embora The Last Confession seja considerada como uma novela (pelo menos assim o aparentavam ser as páginas escritas), Morris West descrevia-a mais como um livro de viagem pessoal, de natureza autobiográfica, um reencontro anedótico com as cenas e as personagens de uma longa e variada vida que viveu.
Aos 83 anos de idade, Morris West tinha já enfrentado a morte por cinco vezes: uma primeira vez quando pensou suicidar-se, depois de ter passado por um terrível esgotamento; e quatro outras vezes por motivos físicos: em 1960 com uma pneumonia, depois com uma úlcera homorrágica, em 1987 com problemas coronários graves e em 1998 quando sofreu vários ataques cardíacos.
A literatura mundial perdia, então, uma das suas melhores e maiores vozes.
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