Mortágua

Aspetos Geográficos
O concelho de Mortágua pertence ao distrito de Viseu e localiza-se na Região Centro (NUT II) em Dão-Lafões (NUT III), ocupa uma área de 250,4 km2 e abrange 10 freguesias: Almaça, Cercosa, Cortegaça, Espinho, Marmeleira, Mortágua, Pala, Sobral, Trezoi e Vale de Remígio.
O concelho apresentava, em 2005, um total de 10 368 habitantes. O natural ou habitante de Mortágua denomina-se mortaguense.
O concelho encontra-se limitado a este pelo concelho de Santa Comba Dão, a norte e a nordeste por Tondela, a sul por Penacova, no distrito de Coimbra, e a oeste por Anadia, no distrito de Aveiro.
Entre os anos de 1981 e 1991, registou-se uma taxa de crescimento da população de 5,9%. Contudo, em 2001, a taxa de mortalidade (10,8%) foi superior à taxa de natalidade (6,4%).
No que se refere ao emprego, este concelho apresenta uma taxa de população ativa de 41,3%, verificando-se uma taxa de desemprego de 5,7%.
Possui um clima mediterrânico com feição continental, apresentando invernos frios e verões quentes e secos.
A sua morfologia é relativamente pouco acidentada, destacando-se como áreas de maior altitude Parada (315 m), Boialvo (475 m) e Alagoa (624 m).
Como recursos hídricos, possui a ribeira de Fraga, a ribeira de Mortágua, a ribeira de Marmeleira e o rio Cruz.

História e Monumentos
A origem do povoamento destas terras remonta aos tempos pré-históricos, de que são testemunho fortificações castrejas, como "Cabeça do Castro". Este castro aparece referido em documentos do século X, relacionados com a doação ao Mosteiro de Lorvão pelo poderoso conde Oveco Garcia, que seria o senhor de Santa Comba e dono de muitos bens.
Posteriormente, D. Afonso III doou a vila de Mortágua a D. Teresa Fernandes de Seabra, que seria sua amante, e, anos depois, passou para a posse da sua bastarda Leonor Afonso, a qual legou muitos bens ao Mosteiro de Santa Clara de Santarém, por testamento de 1292.
Foram-lhe concedidos vários forais, o primeiro por Sancho I, em 1192; depois, em 1403, pelo senhor de Tentúgal e Mortágua, Gonçalo Anes de Sousa, e, por último, por D. Manuel I, em 1514, através das ordenações manuelinas.
Ao nível do património arquitetónico, destacam-se o pelourinho, que data do século XVI, a Igreja Matriz e o Santuário de São Salvador do Mundo, que é o ex-líbris da paisagem mortaguense e que fica localizado no cabeço do Senhor do Mundo, sobre os alicerces do castro, sendo local de romaria e miradouro.
É ainda de realçar o Santuário de Nossa Senhora do Carmo, datado do século XII, e a Pedra Finta ou Estela, que remonta à Idade do Bronze.

Tradições, Lendas e Curiosidades
No concelho destacam-se as romarias de São João, que se realizam a 24 de junho, e a de Nossa Senhora da Ajuda, a 8 de setembro, em Cercosa.
No artesanato, salientam-se as louças de barro vermelho (em Gândara), os trabalhos de cestaria, os artigos de vime, em Pala e Macieira; as gamelas de madeira, em Vila Meã; as mantas de trapos, a tapeçaria, as rendas e os bordados e ainda a tanoaria.
Como curiosidade, de referir "A Lenda do Juiz de Fora", a qual conta que Afonso IV determinou, por lei, que a justiça concelhia fosse atribuída a um juiz de nomeação régia, exterior ao concelho. Foi nomeado um magistrado de Coimbra. Este não se eximiu a fazer cumprir a lei em Mortágua e mandou prender o criado do fidalgo D. Gil Fernandes, várias vezes acusado, ao pelourinho, de modo a ser vergastado. Quando D. Gil tomou conhecimento do facto, esperou o juiz no seu regresso a Coimbra. Agrediu-o, cortou-lhe as orelhas e o nariz; porém, temendo a fúria do rei, fugiu para Castela. Em 1340 participou ao lado dos castelhanos na Batalha do Salado contra os muçulmanos. Considerando a sua cooperação, o rei D. Afonso IV perdoou-lhe o crime e deixou-o regressar à pátria.
Merece também referência a "Lenda do Lago", a qual relata que há muito tempo todo o centro do atual concelho de Mortágua estava ocupado por um enorme lago, de mais de 5 km2 de superfície, habitado desde o início do mundo por peixes de água doce, até que chegaram os Mouros, ou os Romanos, que resolveram drenar as águas do lago, abrindo uma brecha nas rochas de Alçaperna.
Conseguiram assim secar a zona, que foi logo habitada e cultivada, passando a chamar-se Mortágua, ou seja, o sítio da água morta.
No concelho de Mortágua destacam-se algumas personalidades: António José Branquinho da Fonseca, que participou na fundação da revista Triplico, da qual, em 1924 e 1925, saíram nove números. A sua colaboração é muitas vezes subscrita por António Madeira, pseudónimo que só abandonará em 1924. Em 1926, é provido no lugar de conservador no Museu-biblioteca Conde de Castro Guimarães, de Cascais, e é aí que pôe em prática a primeira experiência de bibliotecas itinerantes realizadas em Portugal. José Tomás da Fonseca (1887-1968), escritor, poeta e jornalista, evidenciou-se na propaganda republicana e foi uma das figuras mais relevantes da campanha acidentada que precedeu a implantação da República, em 1910. Durante os primeiros tempos do Novo Regime, colaborou em todos os grandes atos, especialmente nas reformas do ensino, desde o básico ao universitário; de polémico publicista, foi ardoso defensor da causa da instrução popular e uma das mais nobres figuras cívicas da história da primeira República.
E, ainda, José Lopes de Oliveira, que colaborou em jornais, revistas e panfletos, sendo admirado pelo amor ao estudo e pela defesa que fazia dos seus ideais republicanos. Assim se tornou um prosador forte, sugestivo e original, com qualidades superiores de escritor. Foi convidado para ministro do Governo provisório, mas recusou. Foi preso por várias vezes.

Economia
No concelho predominam as atividades ligadas ao setor terciário, seguidas do secundário, tendo o primário um peso relativamente baixo.
No que se refere à atividade agrícola, destacam-se os cultivos de cereais para grão, leguminosas secas para grão, prados temporários e culturas forrageiras, batata, prados, pastagens permanentes e vinha. A pecuária tem também alguma importância, nomeadamente na criação de ovinos, coelhos e aves. Quase 85% (622 ha) do seu território está coberto de floresta.
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