mosaico

Os mosaicos eram compostos por pequenos cubos de pedra colorida (porfírio, mármores, granitos, quartzos, etc), por fragmentos de vidro colorido ou esmaltado, por pastas ou por minerais, como o ouro. A partir do século VI o vidro tornou-se o material preferido para a execução dos painéis pela variedade cromática que permitia. O uso de ouro e de prata (geralmente em forma de finas películas, integradas em peças de vidro) tornou-se mais frequente nos mosaicos bizantinos a partir do século XI, permitindo a realização de vastas superfícies douradas que constituíam os requintados fundos das composições figurativas.
A dimensão destes elementos variava bastante, de acordo com a sua função na composição ou com as possibilidades técnicas e as preferências estéticas do artista. Eram aplicados sobre um fundo rígido, formado por uma camada de argamassa de cal ou cimento. Sobre esta superfície de suporte era executado o desenho, que orientava a execução do mosaico.
Os mais antigos exemplares de mosaico remontam à época romana, período durante o qual esta técnica expressiva teve um notável desenvolvimento e divulgação, atingindo todos os pontos do império. Eram utilizados para revestimento não só dos espaços interiores dos inúmeros edifícios públicos que constituíam os centros cívicos e políticos das cidades romanas, mas também nas residências privadas urbanas ou nas Villae rurais. Apresentam um vasta leque de possiblidades formais e podem ser agrupados em duas categorias que frequentemente se associam: o mosaico abstrato, muitas vezes formado por motivos geométricos de carácter decorativo; e as composições figurativas, geralmente coloridas e de grande dimensão. Esta última categoria, assumindo-se como uma extensão da pintura, retoma muitas das suas temáticas (cenas mitológicas, da vida quotidiana, paisagens e estudos de animais e vegetais) e características formais. Um dos exemplares mais completos, dentro da tipologia figurativa, é o grande pavimento da Casa dos Faunos de Pompeia, representando a batalha entre Alexandre Magno e Dário III da Pérsia.
A partir do século III d. C., este género artístico é adotado pelos cristãos para representação de temas religiosos (inspirados no Velho ou no Novo Testamento) que aplicam nas paredes e coberturas dos seus templos, como o testemunham os mosaicos da cúpula da igreja de Sta. Contança ou os da nave da igreja de Santa Maria Maior, ambos em Roma e datáveis do século V d. C. Nestes templos, que ostentavam uma iconografia muito variada, a figura de Cristo em Magestade ocupava invariavelmente um lugar de destaque.
Após a queda do império romano do ocidente, o mosaico conheceu um significativo desenvolvimento durante o primeiro período da arte bizantina, sob o reinado de Justiniano (527-565 d. C.). Os melhores exemplares desta fase encontram-se na igreja de San Vitale, em Ravenna, construída no século VI, cujos mosaicos parietais representavam, com grande elegância de desenho e colorido, as principais figuras da corte imperial de Justiniano.
Os mosaicos do segundo período artístico de Bizâncio (de 843 a 1200 d. C.), atingiram um maior requinte técnico e formal, como o testemunham alguns dos mosaicos da igreja de Santa Sofia de Istambul, cujo complexo espaço interior potenciou bastante este tipo de decoração.
Durante a Idade Média, a tradição bizantina foi transmitida, através da Itália, para os restantes países europeus. No interior do Batistério de Florença assim como na Basílica de S. Marcos de Veneza encontram-se os mais interessantes exemplares de mosaico do período gótico.
O uso desta técnica, apesar de ter decaido bastante após o renascimento, prolongou-se até aos finais do século XX.
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