Mosteiro de Arouca

A fundação do Mosteiro de S. Pedro de Arouca é atribuída a um casal de fidalgos visigodos, Luderigo e sua mulher. Não existe consenso quanto à data provável da sua construção nem sobre a regra que o regia. Sabe-se que foi beneditino e misto, seguindo, a partir dos finais do século XI, a reforma cluniacense.
D. Mafalda, uma das filhas de D. Sancho I, escolheu o Mosteiro de Arouca para ingressar na vida religiosa quando regressou de Castela, após a morte do seu marido, o rei Henrique I. Esta princesa real reformou a vida e hábitos da comunidade ao adotar a regra da Ordem de Císter, aumentando a riqueza do mosteiro por doação dos seus bens herdados, entre eles os direitos reais e a jurisdição da vila de Arouca. No finais do século XVIII, D. Mafalda viria a ser beatificada.
Do primitivo mosteiro medieval não subsistiram quaisquer vestígios. As intervenções, iniciadas nos finais do século XVII e continuadas no seguinte, criaram uma nova arquitetura. Esta grande remodelação teve uma testemunha ocular, a freira Tòda Maria Coutinho, que viveu 122 anos e foi contemporânea de sete reis e obediente a catorze papas. Desenvolve-se o cenóbio em corpos que se articulam perpendicularmente, formando fachadas bem de acordo com a tradição cisterciense, de grande sobriedade, mesmo em plena época barroca. Ao centro do edifício mais antigo abre-se o portal de largo arco abatido, assente em pilastras adossadas e delimitado por salientes cunhais, rematando a fachada empena triangular terminada por cruz latina. Para Nordeste estende-se o edifício rasgado por janelas de linhas simples, marcado por um torreão angular, seguido do coro e igreja. Do lado sul situa-se o arco de entrada do Pátio dos Comuns. Esta frontaria é valorizada pela escadaria de corrimão formado por balaústres torsos.
O projeto da igreja e do coro, traçado em 1703, deve-se ao arquiteto maltês Carlos Gimac. A planta é composta por corpo retangular e cabeceira quadrangular. No corpo da nave abrem-se oito capelas de arco pleno, sobrepujadas por janelas alternando nichos com estátuas setecentistas em pedra de Ançã, da autoria da Jacinto Vieira - representando santas, figuras beneditinas e cistercienses. Uma destas capelas da igreja alberga a urna de Sta. Mafalda, em ébano e decorada com prata e cobre dourado.
Ao nível do coro alto, resplandecem as talhas douradas do varandim do órgão, dos atlantes que suportam a tubagem e das sanefas, constituindo uma espetacular composição barroca já com sugestões rocaille. Ainda no coro, é necessário chamar a atenção para o cadeiral do barroco nacional, em talha dourada e de 104 assentos dispostos em quatro filas, executado pelos mestres António Gomes e Filipe dos Santos. Os espaldares são preenchidos por pinturas narrando cenas da vida de S. Bernardo e Sta. Mafalda.
No topo da capela-mor, o retábulo em talha dourada, datado de 1723 e concebido por Luís Vieira da Cruz, alberga três imagens do barroco joanino - Anunciação, S. Bernardo e S. Bento. Joaninas são também as esculturas dos altares colaterais, afirmando-se neste núcleo escultórico uma das maiores riquezas artísticas de S. Pedro de Arouca.
Mais tardio, datado de 1781, é o claustro de dois andares, com as galerias superiores constituídas por arcos abatidos assentes em pilares jónicos. As galerias inferiores são formadas por arcos de volta perfeita sobre robustos pilares.
Na sala do capítulo, coberta por abóbada de arco abatido, conserva-se ainda o policromo revestimento de azulejos do século XVIII, com temas paisagísticos.
Possui este mosteiro um Museu de Arte Sacra, onde se destacam a escultura gótica do século XV de S. Pedro, talvez obra do escultor João Afonso, uma seiscentista Sta. Mafalda feita para o jacente da arca tumular e o Díptico-Relicário da Anunciação, bonita e singela obra de ourivesaria do século XIII.
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