Mosteiro de S. Bento

Uma das mais importantes casas beneditinas portuguesas foi edificada em Santo Tirso e consagrada ao fundador desta Ordem religiosa, o monge italiano Bento de Núrsia. As notícias sobre a origem deste mosteiro são escassas, mas sabe-se da sua existência antes de 997, ano em que os muçulmanos comandados por Almançor o arrasariam.
S. Bento ia recebendo doações várias e ganhando maior prestígio no seio da comunidade tirsense, vindo a ser reformado nos finais do século XI. Contudo, das edificações anteriores ao século XIV nada subsiste, com exceção de algumas lápides do século XII. A volumetria atual da igreja é obra da segunda metade do século XVII, enquanto a zona do mosteiro foi edificada no último quartel de Setecentos, de acordo com a estética rocaille.
Durante a segunda invasão francesa, uma parte dos tesouros conventuais foram roubados. A espoliação de livros e alfaias de culto prosseguiu com a extinção das Ordens religiosas em 1834 e o consequente abandono do mosteiro pela congregação beneditina. A cerca e várias dependências conventuais seriam vendidas pelo Estado, sendo estas adquiridas em 1882 pelo conde de S. Bento. Contudo, nos inícios do século XX, um incêndio destruiu parte desta ala do cenóbio, restaurada posteriormente por familiares desta figura da nobreza local. O arquiteto da Igreja de S. Bento foi frei João Torriano, engenheiro-mor do Reino no tempo de D. João IV, filho de Leonardo Torriano, anterior titular deste cargo régio. O projeto inicial de João Torriano foi alterado e simplificado, possivelmente por questões económicas, tendo as obras começado em 1659.
A austera fachada da igreja apresenta-se dividida em três corpos, sobressaindo na parte superior as duas torres sineiras, recuadas e cobertas por coruchéus triangulares azulejados. O andar térreo é formado por galilé de três arcos de volta perfeita, sendo os panos da fachada ritmados por grandes pilastras. No alinhamento dos arcos estão três nichos com estátuas de santos, sobrepujados por igual número de janelas retangulares. Forte cornija, flanqueada por plintos com pináculos, sustenta um anguloso frontão com o tímpano preenchido por janela semicircular tripartida. O perfil da fachada prolonga-se numa das faces por linhas descendentes contracurvadas.
Contíguo à igreja desenvolve-se o convento de harmoniosas linhas rocaille, marcando a extensa fachada janelas de belo recorte barroquizante. Destaca-se ainda a denominada Porta Branca, movimentada composição do barroco final possuindo desenvolvido entablamento contracurvado, com o escudo da Ordem de S. Bento ao centro, assente em colunas erguidas sobre pedestais.
Com uma planta em cruz latina, o interior do templo é marcado por uma atmosfera rica e surpreendente, que lhe é conferida pelo excelente trabalho de talha rocaille. A sua ampla nave é coberta por abóbada de berço e ornamentada por estuques. Uma grade de ferro, realizada por frei José de Sto. António Vilaça cerca de 1780, separa a nave do transepto, estando reservado este espaço e o da capela-mor aos monges beneditinos.
Os altares laterais da nave são cobertos por estruturas de talha rocaille, de autoria de frei José Vilaça, engrandecidas pelas movimentadas esculturas barrocas, em madeira estofada e pintada, atribuídas a frei Cipriano da Cruz, para além de uma Sagrada Família setecentista e de uma escultura da Virgem com o Menino, obra do século XVI.
Os ondulantes púlpitos são, igualmente, obra de frei José Vilaça e datados do último quartel do século XVIII, apresentando cobertura de elaborados dosséis rematados pelas figuras de S. Miguel, no lado do Evangelho, e da Caridade, no lado oposto da Epístola. Frei José Vilaça deixaria a sua marca superior em composições de talha do último quartel do século XVIIII, como são os casos das belas sanefas das janelas, em vários altares e no magnífico cadeiral do coro, decorado com relevos entalhados contando a vida de S. Bento.
A par destas elaboradas estruturas de talha, acresce o valor superior da escultura seiscentista de frei Cipriano da Cruz, enriquecendo a soberba talha do barroco nacional seiscentista dos altares do transepto. Bela e elaborada composição de barroca talha dourada é o movimentado retábulo-mor, de Estilo Nacional dos finais do século XVII, sublinhado pela qualidade plástica das imagens de S. Bento e de Santa Escolástica.
Das várias dependências conventuais, o destaque vai para a capela monástica com o seu revestimento de azulejos seiscentistas alusivos à vida de Cristo, bem como as galerias seiscentistas do seu pátio, de arcos de volta perfeita assentes em robustas colunas da ordem toscana.
Testemunho das remodelações medievais é o harmonioso claustro trecentista, com a sua galeria de arcos ogivais assentes em conjuntos de colunas duplas com capitéis preenchidos por arcaizantes composições escultóricas de motivos zoomórficos, vegetalistas e de figuração humana. Num dos ângulos das galerias do claustro ainda é visível uma escultura gótica da Virgem com o Menino. No centro do claustro ergue-se uma esbelta fonte com tanque de linhas polilobadas, obra executada em granito e datada de 1649. Corre sobre a galeria gótica um andar superior, construção setecentista que serviu como residência paroquial e que, atualmente, guarda algumas das melhores obras de arte deste mosteiro de Santo Tirso.
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