Movimento dos Países Não-Alinhados

Associação livre de países que, durante a guerra fria, não tinham nenhum compromisso formal com qualquer dos dois poderosos blocos antagónicos dirigidos pelos Estados Unidos e pela União Soviética. A génese da formação deste grupo, conhecido pelo nome de Movimento dos Não Alinhados (MNA), encontra-se na divisão do mundo em dois blocos, o comunista e o capitalista, depois da Segunda Guerra Mundial, e no subsequente processo de descolonização. De facto, este movimento foi lançado a partir de 1960 por líderes de países cujo processo de independência relativamente às potências europeias era ainda muito recente, e que se recusavam ligar a qualquer uma das duas superpotências.
Entre estes homens destacaram-se Jawaharlal Nehru, da Índia, Sukarno, da Indonésia, Gamal Abdel Nasser, do Egito, Kwame Nkrumah, do Gana, Sékou Touré, da Guiné e Josip Broz Tito, da Jugoslávia. O não alinhamento não representava uma atitude de neutralidade, pois distinguia-se dela na medida em que implica uma participação ativa nos assuntos internacionais. Desta maneira os seus adeptos afirmavam a necessidade de serem avaliadas cuidadosamente diversas matérias, recusando juízos pré-determinados. Uma larga maioria das nações não-alinhadas opôs-se aos Estados Unidos durante a Guerra do Vietname e à União Soviética após a invasão do Afeganistão. Na prática, porém, muitas nações não-alinhadas não conseguiram manter esse espírito de total independência, inclinando-se nitidamente para um dos blocos em detrimento do outro.
Estas nações, no entanto, foram importantes mediadoras entre alianças militares rivais e, como organização, contribuíram para impedir a escalada de violência em muitos confrontos. Qualquer tentativa para se constituir como "aliança militar", contudo, foi travada pela enorme diversidade de regimes governativos que iam desde os mais esquerdistas aos mais conservadores, dos mais democratas aos mais ditatoriais; foi travada também pelas dificuldades económicas e pela fraqueza militar de muitos países membros que, por isso, dependiam da ajuda externa e das superpotências.
O desmembramento da União Soviética em 1991, levou as nações não-alinhadas a redefinir o seu papel (processo ainda em curso, bem longe da sua resolução) num mundo onde a intensa rivalidade militar e ideológica entre dois blocos deixou de ser um fator decisivo.
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