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multiplicador (economia)

A nível das variáveis económicas, designadamente nas de carácter macroeconómico (agregados de carácter genérico, nomeadamente ao nível de uma economia como um todo), verificam-se em determinadas situações efeitos de interligação entre essas variáveis denominados de efeitos multiplicadores.
Um efeito multiplicador verifica-se em geral quando uma variação unitária numa determinada variável exógena ou externa provoca uma variação mais que proporcional numa outra variável, de carácter endógeno ou interno. Nesses casos, o valor do multiplicador propriamente dito corresponde ao coeficiente que relaciona a variação das duas variáveis em causa.
Os casos mais frequentes de aplicação do conceito de multiplicador são: o multiplicador do investimento; o multiplicador monetário ou da oferta de moeda; e o multiplicador do comércio externo. O multiplicador do investimento, que na prática se pode aplicar a outras componentes da despesa de uma economia, como o consumo privado e o consumo público, traduz um efeito de variação positiva do rendimento numa economia derivada de uma variação unitária positiva no seu volume de investimento. Este efeito assume que um aumento unitário no volume de investimento de uma economia provoca ondas sucessivas do rendimento, cuja dimensão depende da propensão marginal a consumir ou poupar. Essa propensão traduz por sua vez o aumento de consumo ou poupança derivado de uma variação unitária no rendimento. O coeficiente que representa o multiplicador é neste caso correspondente ao rácio entre 1 e a propensão marginal ao consumo. Assim sendo, quanto menor for a propensão marginal a consumir numa economia, maior o efeito multiplicador do investimento. Este efeito é mais visível nas economias mais desenvolvidas, em que a propensão marginal ao consumo é mais baixa que nos restantes.
O multiplicador monetário representa o quociente entre o acréscimo na oferta de moeda ou depósitos e o aumento nas reservas bancárias. Genericamente, o multiplicador da oferta de moeda corresponde ao inverso da taxa de reservas bancárias exigida.
O multiplicador do comércio externo, também designado por efeito de aceleração, representa o coeficiente de crescimento do rendimento nacional derivado de uma variação unitária no valor das exportações, provocado designadamente por um aumento da procura de bens nacionais no estrangeiro. Esse aumento das exportações implica um aumento do produto, que por sua vez gera rendimentos que serão utilizados em consumo e investimento, que por sua vez irão também potenciar o aumento da produção e assim sucessivamente. Este multiplicador é a extensão do multiplicador do investimento ou da despesa como um todo.

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