multirracial

Após os Descobrimentos e com o posterior processo de colonização do Novo Mundo, feito à custa do trabalho escravo, o número de crianças com uma origem étnica mista, nomeadamente brancos e negros, aumentou progressivamente. A palavra mulato, do português mula, a cria mista de cavalos e burros, foi usada nas Caraíbas e nos EUA para designar essa mestiçagem, também apelidada de "meia casta" ou "meia estirpe", por serem considerados de valor secundário. Uma das exceções neste contexto histórico foi o Brasil, em que o número de indivíduos com heranças mistas eram a grande maioria e, como tal, constituíam a base da sociedade.
Apenas em 1967 é que as leis que reprovavam a mistura étnica ainda existentes nos EUA foram revogadas pelo Supremo Tribunal no seguimento do processo judicial intentado pelo Estado da Virgínia contra o casal Richard e Mildred Loving, pelo facto de ele ser branco e ela negra, e que veio a dar razão ao casal. Posteriormente, tanto nos EUA como na Grã-Bretanha, os indivíduos de herança multirracial foram progressivamente tendo acesso aos direitos através da revogação de muitas leis antimiscigenação. As posições adotadas de repúdio pela tradicional ideia da superioridade branca como consequência das descobertas científicas e as progressivas conquistas sociais e políticas levaram à aceitação social da multirracialidade.
A multirracialidade produz ainda hoje uma série de conflitos relativos à questão da identidade étnica, quando os indivíduos não conseguem assimilar de forma coesa e harmoniosa as suas várias heranças culturais. Esses conflitos resultam na negação da herança da comunidade minoritária ou, pelo contrário, pela identificação total com a herança que foi socialmente estigmatizada, ou ainda pela ambivalência de uma dupla lealdade coexistente com uma dupla traição.

Como referenciar: multirracial in Artigos de apoio Infopédia [em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2019. [consult. 2019-05-23 22:32:53]. Disponível na Internet: