Mundialização da Segunda Guerra Mundial

A Segunda Grande Guerra (1939-1945), nas palavras de De Gaule, era "uma Guerra Mundial". Os países que saíram incólumes da guerra pelo facto de ficarem à margem como neutrais foram muito poucos. Todos os continentes se envolveram e as operações passavam forçosamente pelo Atlântico e pelo Pacífico. Foi uma guerra que envolveu todos os recursos materiais e humanos dos países em confronto. A mobilização foi total. As operações assumiram uma enorme complexidade e o jogo psicológico tornou-se fundamental, quer em relação às tropas, quer em relação aos povos implicados. O desmantelamento e desarticulação da economia dos adversários foi uma prática corrente. O terror do bombardeamento foi utilizado pelos nazis nos países que invadiu ou na guerra civil espanhola. O envolvimento das populações no conflito também foi essencial, tomando a forma de guerrilha na maioria dos países ocupados (resistência interna com redes de comunicação e de combate).A guerra desenvolveu-se a partir da Alemanha hitleriana, envolvendo países que durante o primeiro grande conflito tiveram capacidade de se manterem neutrais. Assim, esta guerra iniciada na Europa alastra para leste e o Pacífico, a Austrália, a América e África veem-se também envolvidos. Depois da invasão da Polónia, em setembro de 1939, no ano seguinte os alemães tomam posições nos estreitos dinamarqueses, no litoral da Noruega (garantia de abastecimento de minério de ferro proveniente da Suécia) e no Noroeste da Europa derrotando a Bélgica, os Países Baixos e a França. Atacam massivamente a Inglaterra e passam à ofensiva no Mediterrâneo e nos Balcãs. A Itália entra na guerra e ataca a Grécia. A amizade entre a Alemanha e a Itália tem como fruto a invasão da Jugoslávia e da Grécia. Em 1941 os alemães atacam a União Soviética e Estaline responde em força, auxiliado pelo rigor do inverno, mas, no entanto, Hitler consegue chegar ao Cáucaso. A Europa via-se ocupada sem poder fazer frente ao poderio alemão. Apenas a Suécia, a Suíça, Portugal, Espanha e a Turquia ficam afastados do conflito mundial. No entanto, já em 1941 a Inglaterra alcança algumas vitórias na África Oriental. Os Estados Unidos e a URSS passam a participar na guerra total e em 1942 as posições alteram-se com algumas vitórias dos Aliados em El-Alamein com o esmagamento do Afrika Korps, no Norte de África e em Estalinegrado. A guerra estendeu-se ao Pacífico por iniciativa do Japão, um dos signatários do pacto anti-Komintern contra a URSS - os japoneses atacam de surpresa a frota americana estacionada em Pearl Harbor, no Havai, a 7 de dezembro de 1941, e no dia seguinte declaram guerra aos Estados Unidos, à Grã-Bretanha e colónias, para além de territórios do Sudeste Asiático, como a Malásia, Singapura e a Indonésia. Os japoneses tomam conta de posições estratégicas norte-americanas no leste do Pacífico, ameaçam a Índia e a Austrália. Em 1942, os americanos respondem com um bombardeamento a Tóquio e vencem nas batalhas navais, o que constitui um golpe para os nipónicos. Com porta-aviões e navios os americanos avançavam em direção ao Japão mas tiveram de se defrontar com os ataques suicidas dos kamikazes. O confronto fazia-se entre dois blocos: de um lado a Alemanha, a Itália e o Japão e os seus aliados e do outro os países das democracias ocidentais e a URSS. A junção dos vários países na força aliada fez com que esta possuísse um poder de ataque extremamente poderoso que suplantava largamente os recursos de que a Alemanha ou o Japão poderiam dispor. Os Estados Unidos tinham um arsenal muito poderoso e consequentemente dispunham de bases aéreas e portos no Médio Oriente e na África austral para resolver o problema do transporte de material bélico e de homens. Os Aliados tiveram também de resolver o problema colocado pela luta antissubmarina alemã no Atlântico, no Ártico e no Mediterrâneo (o sucesso só chegaria em 1943). No Pacífico as ações americanas têm como alvo os navios da frota mercante japonesa. Os Aliados provocam o derrube de Mussolini com o desembarque na Sicília em 1943. Os ataques na Normandia e na Provença rompem com a "fortaleza da Europa". Nos finais de 1944 e inícios de 1945 os alemães lançam uma contraofensiva em Ardenas. Em 1945 os Aliados passam o Reno invadindo a Alemanha e avançam na direção do Óder. A 7 de maio de 1945 a Alemanha assina a rendição incondicional em Reims, ratificada no dia seguinte em Berlim. A Alemanha passou a ficar nas mãos da França, Grã-Bretanha, Estados Unidos e URSS. Nesse mesmo ano o Pacífico continua a ser agitado pela guerra: metade do ano foi ocupado na batalha de Okinawa; a Grã-Bretanha reconquista Rangum, na Birmânia; os Australianos estão no Bornéu; os Estados Unidos passaram a administrar as ilhas próximas do Japão e aí construíram bases para ataques ao país e à sua frota de abastecimento. Mas os nipónicos não se rendem; os americanos lançam então a bomba atómica sobre Hiroxima e Nagasáqui a 6 e 9 de agosto; a União Soviética, entretanto, entrara também em guerra com o Japão a 8 de agosto. Apesar de tudo, o fim da guerra estava próximo - os japoneses, liderados pelo imperador Hirohito declaram a rendição a 15 de agosto e formalizam-na a 2 de setembro a bordo do couraçado Missouri. Pelo facto de a guerra se ter desenvolvido ao nível planetário as datas que assinalam as rendições são diferentes na Europa e no Extremo Oriente.
Na guerra total, ficou demonstrado o empenho dos países em resolver três questões essenciais: o transporte de materiais e homens necessários ao conflito; a luta através da utilização de submarinos e ataques estratégicos.
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